Ao nascermos, ainda na maternidade, recebemos um número para nos diferenciar dos demais recém nascidos e, é logo aí que começamos a perder a nossa identidade. Vamos crescendo, o nome continua o mesmo, mas os números vão se agregando até nossos últimos dias e, depois da morte, também recebemos um número final, viramos estatísticas. Quando completamos a maioridade é aí que a coisa começa a pegar, pois os números realmente vão fazer parte de sua vida, para a vida civil você recebe o número do Registro Geral (RG), para vida financeira recebe o número do Cartão de Pessoa Física (CPF), daí a coisa não pára, porque começam a surgir outras identificações, número da conta bancária, números do INSS, número do telefone residencial e celular, número da Carteira de Motorista, da Carteira de Trabalho, número do prontuário, enfim, é número para ninguém botar defeito. Eu ia me esquecendo que quando se vai a alguma instituição pública recebe-se uma senha com um número, inclusive naquelas filas das madrugadas (INSS, Hospitais, Postos de Saúde, Concursos públicos e privados, etc…). Na verdade não é isso que nos preocupa, pois os números são necessários para manter-se a ordem e a disciplina, o que realmente nos deixa muito encabulado e, por que não dizer muito triste é que todos nós, e a própria sociedade como um todo, nos rotulou como números mesmos, pois somos tratados com frieza, distanciamento e com total indiferença. Não gostaria nem de citar, porém, o que aconteceu com o garotinho João Hélio, lá no Rio de Janeiro, fez o Brasil ficar sem ação, paralisado, diante de tanta maldade, o episódio nos qualificou de verdadeiros monstros. Essa constatação nos choca muito, pois é certo que as pessoas estão cada vez mais alienadas, e é tão normal não se importar mais com os semelhantes, que ao vermos um ser humano jogado na calçada, isto não nos comove mais, estamos insensíveis a estas cenas. Hoje se vida é tão ferida, deve-se a culpa a indiferença das pessoas. Infelizmente, é uma realidade chocante e, quando paramos para pensar sobre o assunto, ficamos com muito medo, pois sentimos que o individualismo nos aprisionou. Percebe-se que o calor humano, não tem mais espaço no convívio entre as pessoas, na verdade somos números, Não somos?