Sexta-feira da Paixão

Há mais de 2.000 anos, a tradição traz principalmente para o mundo católico a passagem e recordação da sexta-feira da Paixão.  Onde se lembra o martírio que o Cristo sofreu, ao conduzir o madeiro pesado da cruz da Praça do Pretório de Jerusalém até o monte Golgota para sofrer o sacrifício da crucificação. Antes, porém, padeceu toda a flagelação possível e inimaginável nas mãos dos guardas pretorianos.  Tal  episódio tem para nós crentes dos acontecimentos, um significado ímpar, pois nos traz a lembrança da doação espontânea do Salvador, em morrer em nosso lugar para nos salvar e nos dar a vida prometida pelo próprio Deus. A data é de reflexão, é de intimidade com Jesus, conversar com Ele, saber se estamos sendo dignos de seu sacrifício ou se nada valeu a pena. A pergunta que fica para nós é como pode um ser Divino, com poderes especiais,  vindo do Pai Celeste, se deixar morrer e sofrer as piores agruras sem reclamar e em prol de uma humanidade decadente e acima de tudo incrédula. Para muitos da época, o próprio Cristo os decepcionou, pois era certo à eles que o Salvador do mundo, viria em forma de um grande rei, montado em um cavalo fogoso no comando de um grande exército para dizimar os inimigos e, assim sendo seria a glória total. Tal qual foi a surpresa que o Nazareno nasceu no seio de uma família  humilde, simples e sem nenhum atrativo ou expoente social, era apenas um ser qualquer, aos olhos da comunidade.  Tanto é verdade que o próprio Jesus teve várias ocasiões em que não era reconhecido como o filho de Deus, muitos não acreditavam Nele. Aliás, essa era a intenção do projeto de Deus, uma vez que a aceitação do Cristo estava condicionada apenas pela fé,  destituída de qualquer obrigação aparente. A humildade de Jesus era o ponto alto de sua definição como filho de Deus, pois é certo que em suas próprias palavras “quem se humilha será exaltado e quem se exalta será humilhado”, estava à regra para seguí-Lo. Os componentes da divindade do Cristo residiam nos predicados da fé, fidelidade, humildade, paciência, amor e acima de tudo ver o irmão como a imagem e semelhança do próprio Deus. Por isso, que é sumamente importante a vivência e lembrança da Sexta-feira da Paixão, onde deve-se nem que for por apenas uma hora, despojar-se de tudo, deixar o mundo lá fora e fazer uma reflexão maiúscula sobre a nossa vida, como estamos vivendo os predicados estabelecidos pelo Senhor. Deve-se fazer uma viagem profunda dentro de nós mesmos.  Buscar o mais tênue incômodo que nos perturba e avaliar quais são os propósitos de nossa existência. Saber neste questionamento particular se valeu a pena o sacrifício do Cristo por mim ou se apenas sou um fiasco. Aí está o real significado da Sexta-feira da Paixão, que é compreender o verdadeiro mistério da crucificação do Senhor. Comemoramos sim a passagem da data, pois, ela nos dá sempre a oportunidade de refletir sobre o ato em si, infelizmente, muitos ainda não compreendem isso.  Haja vista que alguns comemoram a data com outras preocupações, aproveitando o feriado para o  lazer, a diversão e tudo que se tem direito sobre o descanso da matéria. É, por isso que o Cristo está sempre de braços abertos. Indiferente a  todo esse desprezo Ele continua a te esperar. Basta que você desvire as costas e vá ao seu encontro, com certeza, Jesus irá te acolher e te  abraçar com muito amor. Experimente, nunca é tarde para voltar à casa do Pai.