Geralmente algumas pessoas ficam sobrecarregadas, pois, algumas outras cruzam os braços e ficam aguardando ser servidas ou que se façam suas partes. No entanto, é excessivamente difícil notar este expediente na maioria das pessoas, ou seja, comprometimento com as responsabilidades. Quase que em qualquer lugar que se esteja, na rua, nos clubes, nas associações e, na própria casa, nota-se com nitidez que alguém sempre faz mais do que os outros. Lembro-me bem que em certa ocasião participando de uma reunião de quase cem pessoas, no fim dela, o coordenador solicitou dos presentes que ajudassem a recolher as cadeiras e perfilá-las fechadas na parede lateral do recinto. Acreditem que para essa fácil tarefa, ficou recolhendo as referidas cadeiras, apenas o coordenador e três ou quatro abnegados, os demais foram embora sem nenhum tipo de constrangimento. Aliás, essa atitude de responsabilidade pessoal é quase que uma relíquia esquecida no túnel do tempo dos bons costumes e respeito mútuo. Não sei se já citei em algum artigo anterior, mas, é bom lembrar o exemplo da limpeza das calçadas, alvo de uma pesquisa para se saber quanto tempo se levaria para limpá-las. A pesquisa abrangia todas as calçadas de uma determinada cidade. Quase todos os participantes da dita pesquisa colocaram tempos elásticos para conclusão da referida tarefa. Porém, um “iluminado” anotou como resposta que em apenas dez ou quinze minutos seriam suficientes para executar o trabalho. Curioso e surpreso o Coordenador da Pesquisa, convocou o pesquisado para dar explicações sobre sua afirmação. Inquirido o pesquisado, respondeu: “se cada um limpasse a sua calçada só demoraria mesmo os dez ou quinze minutos considerados”. Foi uma clara alusão de que se cada um fizesse a sua parte as coisas seriam bem mais fáceis e amenas para todos. Outro destaque, é que em uma casa onde moram três ou mais pessoas, pode-se afirmar, sem medo de errar que somente uma delas trabalha, fazendo os serviços domésticos. As demais agem em sentido contrário, ou seja, desarrumam e não arrumam. Senão vejamos: você entra num cômodo acende a luz e sai deixando a luz acesa; você levanta de manhã, deixa o quarto desarrumado e, vai para o banheiro deixando-o mais desarrumado ainda; você puxa uma cadeira para sentar-se, levanta-se sem tornar a colocá-la no lugar: é esta a rotina diária, porém, alguém vai ter que fazer essa arrumação toda, fora, os demais afazeres. Já imaginaram se cada um de nós colaborasse com o mínimo possível, quanto pouparia de carga extra de serviço para nossa mãe, nossa irmã, nossa esposa ou mesmo para nossa empregada doméstica? Não custa nada, tente. Outro item que nos deixa aborrecidos é a inércia dos proprietários de lotes vagos, os quais estão sendo chamados pelo Poder Público para limpá-los, pois, os mesmos estão enfeando a cidade, além de possibilitar proliferação de doenças (dengue). Pô cara, o patrimônio é seu, deixe-o limpinho, colabore com a cidade e com os vizinhos, faça sua parte, é o mínimo que lhe compete. As relações de responsabilidades são infinitas e, não basta só pensar nelas é preciso executá-las. Só para finalizar, acho que todos já viram espalhados pela cidade tênis velhos ou sapatos, amarrados nas extremidades dos cadarços e pendurados nas redes elétricas ou telefônicas, como se fossem enfeites, aliás, de muito mau gosto. Na verdade, alguns já estão fazendo aniversário de permanência. Pergunta-se: “Quem será que não está fazendo a sua parte?” Ou, os ditos cujos enfeites só sairão por conta própria, após desgastes provocados pelas intempéries temporais? Será! Pelo visto sim.