Sargento Guatemozim

Este era o nome que carinhosamente todos os meninos da época, década de 50, o chamavam.  Pessoa iluminada que tinha o dom de Deus para cuidar de criança, embora pela sua profissão (policial militar), não combinava com suas atitudes que eram mais para assistente social do que para militar. Bem, isso não importava, pois a dádiva maior que tivemos foi ter o sargento em nossas vidas. O seu destacamento policial, era onde é o prédio do INSS (Rua Santa Catarina), ali funcionava a sede da polícia e, também a Cadeia Pública. Começamos a nos conhecer lá, onde os meninos se agrupavam para jogar “pingue-pongue” e conversar com o sargento; daí foi se formando uma grande amizade, que teve excelentes frutos para a sociedade votuporanguense. Afirmamos isso, porque passaram pelas mãos generosas do sargento, centenas de meninos que se formaram e ajudaram a compor uma sociedade da qual hoje nos orgulhamos, senão vejamos: Dr. Wilsinho Foz e seu irmão Toninho, Osório Casado. Luiz Carlos Escudeiro, eu e meu irmão Zequinha, Haroldinho Mazzaferro, José Roberto de Oliveira, Netinho Arnold Barbosa, Fernando Okimoto, Julinho Barbieri, Dr. Edson “Baiano” Cocolo Martins e seu irmão Neguinho, Dr. Chiquinho Padovez, Roberto Carreteiro, os irmãos Nelson e José Luiz Faria Basílio, Dr. Alcir Rubens Monteiro, Dr. Cidinho Arroio, Luiz Tavares, Groginha e tantos outros que se ficássemos aqui enumerando não teria fim a lista dos contemplados. A virtude, destaque do sargento era a paciência, até hoje não sabemos, se foi ele ou a figura bíblica Jô, que teve mais paciência! Tanto é verdade que me lembro de uma passagem acontecida, quando o sargento casou, no dia seguinte às 07h00min horas da manhã, lá estávamos nós batendo na porta e na janela para acordar o sargento. A dona Maria, ficou uma fera, mas o sargento com muita paciência e jeitinho acalmou a dona Maria e, ela posteriormente também, nos adotou  e, foi com certeza, ao lado do sargento uma grande mãe para todos nós. O sargento fazia tudo com muito amor, pó mais travesso que fosse o moleque, ele via alguma virtude e, aproveitava  este lado bom que todos nós temos e, explorava o máximo possível para edificar a criatura, sempre conseguia. Formou com tanta abnegação e amor o grupo de escoteiros, que foi exemplo para a cidade e toda a região por muito tempo, aproveitando as normas do escotismo, o sargento nos ensinou a amar e respeitar o próximo, principalmente os nossos pais e irmãos, ensinamentos estes que até hoje moram em nossos corações. Depois do escotismo, o sargento formou o primeiro Campeonato Mirim de Futebol, que foi a apoteose marcante na vida de todos nós, onde também com bastante disciplina e comando, colocou-nos mais uma vez como expressão e vitrine da cidade e, a exemplo do escotismo, só participava dos jogos aqueles que fossem bons alunos na escola, não tinha moleza, pois quem tirasse nota baixa ia para a reserva do time, não importava se fosse o “craque” do time, não existia privilégio. No ano de 1.997 o meu amigo Osório Casado, vereador foi bastante feliz ao propor um Título de Cidadão Votuporanguense para o sargento, que teve aprovação unânime do Legislativo. Na verdade, não foi o sargento o homenageado, mas sim a cidade por ter tido no seu seio um homem tão especial, simples e de um coração muito maior do que ele próprio e, que felizmente era de todos nós. O sargento morreu tenente, mas para nós será sempre lembrado o eterno sargento Guatemozim. Temos certeza absoluta que o céu está em festa, brindando o ano novo, em companhia do sargento.
Descanse em paz.