Nesta semana vimos fotos estampadas nos jornais locais destacando o fechamento dos sanitários públicos da Praça de Santa Luzia. Parece-nos que o objetivo foi alcançado através da movimentação feita de assinaturas em abaixo assinados com a intenção proposital para a interdição dos citados sanitários. Mediante tal manifestação, não resistindo à pequena pressão popular, o poder público se viu obrigado a proceder em caráter temporário ou definitivo, sabe-se lá como vai ficar o impedimento de uso daquele local, por parte da população. Para tanto, foram lacradas as entradas dos dois sanitários existentes, deixando-os assim inacessíveis. Logicamente o que nos deixa um tanto quanto preocupados é, como ficarão as pessoas que usam os referidos sanitários para os fins próprios. A nossa preocupação torna-se extensiva considerando que a comunidade de Santa Luzia é uma das mais ativas da cidade e, usa sempre a praça para vários eventos, principalmente com as crianças. Mediante essa decisão como ficarão esses encontros, onde as crianças farão suas necessidades? Cremos que será muito difícil futuramente realizar tais animações, caso a praça continue sem sanitários. Segundo os noticiários o motivo principal destacado no pedido é o uso indevido dos ditos cujos sanitários por elementos marginais, que ali vão para consumir drogas e praticar outros atos indecorosos. Com relação a isso, ou seja, a permanência de marginais no local, temos certeza que a maioria absoluta da população também acha totalmente errada e não comunga em hipótese alguma com essa situação. O fato é que normalmente as medidas radicais jamais trazem soluções abrangentes, sempre uma grande parte envolvida na questão ficará prejudicada e descontente. É, por isso, que sempre devemos estar preocupados na busca de resultados equilibrados através de decisões mediadoras e que alcancem o maior número possível de pessoas satisfeitas. Em sendo esse o ponto nevrálgico da questão, ou seja, o uso indevido dos sanitários por pessoas marginais, parece-nos que o encaminhamento do pedido, foi totalmente errado. Uma vez que o motivo citado nos parece ser especificamente caso de polícia, portanto, o seu encaminhamento deveria ter sido feito às autoridades policiais ou até mesmo para a Promotoria Pública. Tal decisão me trouxe a lembrança algumas passagens de problemas que eram resolvidos com soluções radicais, pois as causas dos transtornos achavam antigamente que somente teriam resultados após a sua eliminação. O exemplo mais clássico da época eram os dentes, os quais às vezes devido a uma simples dorzinha, eram imediatamente arrancados. No entanto, devemos considerar que há cinqüenta anos atrás as técnicas disponíveis não dispunham do suporte tecnológico dos dias atuais e, também devemos levar em consideração a pouca formação de outrora. Por isso, é que ocorriam muitas extrações. A coqueluche da época era colocar na boca em substituição aos dentes originais às famosas dentaduras, hoje charmosamente chamadas de próteses dentárias. Tanto é verdade, que atualmente estamos vendo crescer vertiginosamente as clínicas de implantes dentários, que nasceram justamente em socorro daqueles mutilados bucalmente. Devido à falta de cuidado e preparo, tornaram-se vítimas de decisões radicais. Hoje, para se extrair um dente permanente é feito até uma junta de vários profissionais odontológicos, é óbvio ser exagero de nossa parte, porém, é certo que se estuda exaustivamente sobre essa possibilidade. Decidindo-se por uma extração somente em circunstâncias extremas. Jamais é tomada uma medida radical, para simplesmente contemporarizar uma situação aflitiva de momento. Assim, comparando-se os dois fatos concluímos que é muito importante que problemas sejam sempre exaustivamente discutidos. E, a todos sejam dados os esclarecimentos exatos da questão, afim de que na hora da decisão, o resultado seja pelo menos satisfatório para um número maior de pessoas, evitando-se a parcialidade. Amém.