Há muitos anos atrás, ainda quando freqüentava o grupo escolar, já existiam coleguinhas que portavam nomes, se não dizer esquisitos, pelo menos era literalmente extravagante. Eu me lembro ainda de um professor já falecido, lá pelos idos da década de sessenta, comentava sobre esse assunto e nos trouxe numa ocasião em sala de aula uma reportagem do jornal o Estado de São Paulo, relacionando vários nomes verdadeiramente esdrúxulos, os quais eram motivos de risos e chacotas por parte de todos. Aqui, em Votuporanga, nesta mesma década existia no Cartório Civil de Registro de Pessoas Físicas, um cartorário, chamado Ramalho que não registrava em hipótese alguma nomes esquisitos, só o fazia com ordem judicial. De repente nesta semana vi e li uma reportagem aqui no Diário, sobre uma família inteira, pessoas simples, crianças lindíssimas, com nomes completamente fora de qualquer realidade, absurdos, por culpa de pais irresponsáveis e cartorários inconseqüentes e insensíveis. Todas essas inconseqüências ficam por isso mesmo, as crianças continuam alvos de chacotas dos colegas, crescem já diminuídas e com certeza terão apelidos, pois seus nomes são difíceis de serem pronunciados até por elas mesmas e assim vai. Há algum tempo atrás pela preocupação que esta situação nos causou, por um momento pensava que poderia resolver o impasse e, dentro dos meus devaneios tive uma idéia “luminosa” que seria: sugeri na época para um deputado federal que criasse ou pelo menos estudasse a possibilidade de se criar uma lei estabelecendo que o Registro de Nascimento ao ser expedido sempre seria provisório e, quando se completasse dezesseis anos seria trocado pelo definitivo e, nesta oportunidade se o nome fosse um desses que estivesse colocando o portador em situação vexatória poder-se-ia trocar por um nome mais digno e respeitável. Acontece que a idéia foi lançada, se possível ou não, a discussão seria outra, porém, é que até hoje não recebi a resposta do relapso parlamentar, o que é bem normal ou natural, considerando a atuação dos ditos cujos em seus mandatos. Assim é que vamos continuar assistindo a caminhada dos “ridículos inocentes”, carregando suas cruzes colocada por outros em suas costas, desconsiderando os direitos individuais de cada um, estabelecida por Deus e garantida pela Carta Magna, no artigo 5º inciso X. Aliás, o Brasil está de luto moral, o Presidente do Senado foi absolvido por seus pares. Então, meus queridos irmãos e irmãs, as nossas esperanças das coisas melhorarem estão cada vez mais distantes e, é como diz a música sertaneja, “a coisa tá feia, a coisa tá preta, quem não está nas mãos de Deus está na unha do Capeta”. Tchau.