Ressentimentos

Estava eu lendo um artigo sobre psicologia e deparei com um assunto muito interessante sobre ressentimentos, resultado de  grandes mágoas acumuladas e que aos poucos vão matando por dentro o ressentido. Interessante que a manifestação é tão subjetiva que a pessoa portadora deste mal não percebe que o seu definhamento desenvolve-se  homeopaticamente e, quando menos se espera o seu coração está tão preto de raiva que nem mais consegue ver as coisas boas da vida, principalmente   a própria vida. Normalmente, por motivos os mais variados possíveis, às vezes até fúteis recebemos um tratamento grosseiro, de qualquer pessoa, sendo que de algumas sentimos mais o baque da grosseria, um amigo, parente próximo e outros.  Ficamos deveras muito sentidos, mas aquele sentimento deve  nos atingir somente  naquele momento, depois precisa passar, pois não podemos acumular mágoas por períodos indeterminados, senão o fardo passa a ser um ressentimento. E, segundo o artigo lido a palavra ressentimento, significa sentir infinitamente coisas ruins e alimentar feridas não cicatrizadas, as quais  nos prendem ao passado e, a gente ao invés de ser vítima passa a ser réu, pois a carga vai invariavelmente nos desgastar por dentro e corroer todos os bons sentimentos que temos armazenado para viver uma vida feliz.  O mais importante de tudo é que na maioria das vezes a pessoa da qual estamos ressentidos, não se lembra mais do acontecido e está levando a sua vida na maior tranqüilidade possível. E, desconhece que existe alguém sofrendo por causa de sua atitude, pior ainda é que  por mais que se queira mal a ela, nada a atingirá e nem a prejudicará, só a gente é que está sendo prejudicado. Na verdade, isto tudo só nos coloca em posição de retaguarda, desconfiamos  de tudo e vivemos como se todos estivessem contra nós. Devido à ausência de caridade, aliada do ressentimento, vemos fantasmas em todos os cantos, achamos que todo mundo só quer nos prejudicar, vemos os outros com olhos de inimigos, somos excessivamente melindrosos e, isso fatalmente escurece a nossa visão, consequentemente turva os nossos sentimentos, possibilitando a acomodação no coração da incômoda presença do ressentimento. A propósito do assunto, o famoso dramaturgo e poeta inglês William Shakespeare citou: “guardar ressentimentos é como tomar veneno e esperar que a outra pessoa morra”, veja só que terrível comparação, mas carregada de pura verdade, pois o ressentido está morrendo, enquanto a outra pessoa está totalmente bem por dentro e por fora também. Convenhamos então que a atitude de ressentimento só faz mal e nos deixa cada vez mais  distantes do mandamento do cristão, segundo Jesus Cristo, que diz “Como eu vos amei, amai-vos uns aos outros”.