“Se Deus criou as pessoas para amarmos e as coisas para usarmos, porque então amamos as coisas e usamos as pessoas?”Diante desta constatação alarmante, como ficamos? Simplesmente envergonhados, haja vista que a indagação feita é infelizmente a pura verdade, pois temos em vários momentos excessiva veneração pelas coisas e, em contra partida, desprezamos totalmente as pessoas. Podemos citar como exemplos vários casos, tais como: quantos homicídios já aconteceram pelo fato de um simples desentendimento de trânsito, isto porque houve um pequeno ou grande dano no veiculo, apenas o bem material foi atingido! Quantos de nós temos guardado nos fundos de baús, bonecas, caminhõezinhos e demais brinquedos, os quais amamos de paixão e, quantas crianças pobres não tem com que brincar, por caso de nosso cego egoísmo! Quantos guarda-roupas lotados de vestidos, ternos, agasalhos e demais vestimentas, sendo que grande parte delas já sem uso e, quantos seres humanos, principalmente por ocasião das estações friolentas, encontram-se desprotegidas e expostas às intempéries do tempo, sem ter com que se agasalhar, geralmente nos despertamos para esse problema quando da chamada de alguma instituição beneficente, assim mesmo na maioria das vezes ignoramos! Sobre o assunto, só para ilustrar melhor, me lembro que aproximadamente há alguns anos atrás, eu tinha um amigo que comprou um Volkswagen, a coqueluche da época e, por incrível que possa parecer este meu amigo amava sobremaneira o danado do carrinho, no qual não deixava ninguém entrar sem que estivesse devidamente limpo, inclusive os seus próprios familiares, ou seja, mulher e filhos e, não adiantava insistir, caso contrário chegava ao absurdo de brigar. E, quanto ao uso de pessoas, aquela mensagem de Jesus “Eu vim para servir e não para ser servido”não valeu para nada? Cremos que foi completamente ignorada, pois o egoísmo e principalmente a ganância nos fizeram agir ao contrário, pois gostamos imensamente de ser servidos, basta observar as nossas atitudes de acomodados esperando apenas colher os frutos da árvore que não plantamos. E, quanto aos trabalhadores rurais que vivem muitos deles em total penúria, principalmente aqueles migrantes nordestinos que vêm para o sudeste na ilusão de um trabalho digno e rentável, ao contrário na maioria das vezes só encontram exploração e promessas não cumpridas. Voltam pra casa depois da temporada, mais pobres do que quando vieram carregando nas costas o peso da decepção e a certeza de que foram simplesmente usados. E, as empregadas domésticas, segundo estatísticas somente um terço delas trabalham na legalidade, isto é, com carteira assinada e salário conforme determina a lei, as demais dentro deste imenso país trabalham na ilegalidade e muitas delas não chegam a ganhar nem o mínimo exigível, infelizmente para elas nem a lei as protege plenamente. Gente vamos parar por aqui, pois pelo visto não vamos ter condições de responder a indagação inicial, todavia, embora seja utópica a discussão, podemos sim, com um jeitinho aqui outro ali, mudar alguma coisa, pois a mudança por mais insignificante que possa parecer, para alguém, com certeza, fará uma grande diferença.