Quem matou Isabella?

Passaram-se mais de trinta dias do trágico acontecimento e, milhares e milhares de páginas foram adicionadas nos anais do inquérito policial, concluindo subjetivamente que pode ser que o pai e a madrasta são autores do crime, porém, os mesmos negam de pés juntos e a dúvida paira no ar. No entanto, a opinião popular motivada pelas informações da imprensa falada, escrita e televisada forma suas opiniões e, alguns mais afoitos já julgaram e condenaram o casal e, se não fosse à proteção de grande escolta policial já teria ocorrido um grande linchamento. Todavia, é provado e comprovado que a justiça feita com as próprias mãos, por mais justa que possa parecer, não é boa, uma vez que sempre haverá perdas de ambos os lados e, com possibilidades de futuramente ficar evidente que se praticou não justiça, mas, um grande e irreparável engano. Porém, se tivéssemos o dom da infalibilidade aí sim poder-se-ia aplicar este expediente de justiça própria sem nenhum tipo de constrangimento e todos seríamos felizes com o resultado, mas… Deixando de lado estas ilações, o que se tem de real é que a garotinha Isabela sofreu e morreu barbaramente e continuamos enchendo páginas de relatórios policiais, páginas de jornais, discussões e tudo que se pode falar sobre o assunto e que rendeu muitos dividendos para a mídia e nada mais, pois continua-se com a indagação no ar, quem afinal matou Isabela. Foram os pais, foi o porteiro, foi um fantasma, fomos nós, resposta muda, corações calados, ações mutiladas e a garotinha continua morta, tornou-se apenas manchete de noticiários. O mundo todo está completamente louco, dominado pelo egoísmo, vivemos como se o amanhã não existisse, Deus parece muito distante, estamos completamente perdidos, matando-nos uns aos outros. É tão verdade tudo isso, que vimos recentemente informação estatística que morre no mundo todo a cada dez minutos uma criança vítima da violência. O que nos cala profundamente no coração é saber que no caso específico da Isabela é tão igual a tantos outros que acontecem por aí que nos deixa sem um pingo de ação, sabendo que a tragédia nos ronda persistentemente, pois Isabela poderia ser uma de nossas filhas e, na verdade se formos pensar, ela bem que é, infelizmente, o mal que campeia o mundo está a nossa volta procurando as vítimas inocentes para atacar e saciar a sua vontade insana e inconseqüente. Diante deste quadro dantesco que se aflora a cada momento com mais intensidade, ficamos todos estáticos, sem ação e, pensando se tais acontecimentos não são um prenúncio eminente dos finais dos tempos, pois é certeza absoluta que jamais saberemos quem matou Isabela e, pode ser que se vai descobrir quem o fez materialmente, mas no contexto geral o que está nos levando a praticar todas essas bestialidades, será o egoísmo, a falta de amor, o ódio, o ciúme, a injuria, a calúnia, a difamação, a inveja, pode ser tudo isso e algo mais. E, para demonstrar esse estado lastimável em que nos encontramos somente uma coisa é certa, Deus já não mora em nosso coração, lhe demos um despejo proposital, só isso. Assim é que a pobre Isabela tornou-se apenas mais um número nas estatísticas dos flagelados e assassinados deste mundo perverso e desumano que infelizmente construímos. Que Deus nos perdoe.