Segundo o professor Aurélio Buarque de Holanda Ferreira, ponto facultativo significa que é opcional a vinda ao trabalho, isto no caso especificamente de serviço público. De há muito tempo que algum “iluminado” criou este subterfúgio para burlar a opinião pública no que concerne a continuidade do trabalho por ocasião da existência de um feriado intermediando os fins de semana antes ou depois. Pelos cálculos estatísticos apresentados pelas associações comerciais, associações de indústrias e comércios, os prejuízos financeiros e econômicos apresentados nestas ocasiões são alarmantes e deixam os comerciantes e industriais de cabelos em pé, pois além dos impostos absurdos que têm que pagar, ainda de quando em vez surge essas lagunas, apelidadas de ponto facultativo, para somar negativamente com os problemas naturais que ocorrem todos os dias. Estamos comentando sòmente sob o aspecto comercial da questão, mas o que lamentamos profundamente é a ausência de atendimento dos setores públicos que deixam a população a ver navios, ou seja, de cara nas portas fechadas dos INSS, das farmácias de auto-custo, dos ambulatórios, das escolas públicas e, agora por incrível que pareça até as escolas particulares aderiram ao “patriotismo nacional” e, fecharam suas portas também. Interessante o caos de atendimento que aconteceu na cidade de São Paulo, pois dia 15/11 feriado nacional, dia 16/11 ponto facultativo, dia 17/11 sábado, dia l8/11 domingo, dia 19/11 ponto facultativo, dia 20/11 feriado municipal e, assim muitos tiveram de graça o gozo de aproximadamente 1/5 de férias para descansar e amar o Brasil, porque pelo que nos consta é só por aqui que acontece estas delícias patrocinadas pelo poder público estatal. Em tempo lembramos que mais 275 cidades também inseriram em seus calendários o dia 20/11 com feriado municipal, nada contra, apenas nos referimos ao famigerado “ponto facultativo”, que fatalmente ocorreu em todas elas. A propósito, para lembrança dos mais antigos, antes da revolução de 1.964, o país tinha milhares de feriados e pontos facultativos, se bem me lembro só feriado de santos tinha-se uma quantidade razoável, quase todos eram homenageados pela “gratidão” dos políticos oportunistas e aproveitadores da fé popular, onde ganhavam uns votinhos patrocinando tais apadrinhamentos. Ocorre que naquela época não havia regras para a quantidade de feriados e as indicações eram feitas pelos senhores deputados (federal e estadual) era uma verdadeira festa. Como diz o ditado “é o cachimbo que faz a boca torta”, por isso, estamos temerosos quanto essa prática que devagarzinho vai tomando conta do pedaço, devido a conivência do poder público que patrocina estas liberalidades, por sinal, inconseqüentes, convenhamos. Alguma coisa tem que ser feita, senão vamos começar a chamar o Brasil de país do futuro novamente. Que retrocesso.