Pesadelo

Dia deste, acordei sobressaltado no meio da noite, após um sonho totalmente tumultuado e levantei para tomar um copo de água, eu tivera um terrível pesadelo daqueles de arrepiar todo pêlo do corpo da gente, coisa peluda mesmo. Depois de me acalmar, fui rememorando o acontecido e foi daí que fiquei mais perturbado, pois eu apenas havia condicionado um fato real e transportado para meu sonho que virou pesadelo. No pesadelo eu via dezenas, centenas e até mais, caixõezinhos de madeira minúsculos, coisa de cinqüenta centímetros e dentro bebezinhos recém-nascidos mortos, eram tantos que até a prefeitura arrumou um caminhão para ajudar transportar para o campo santo. Outros os próprios familiares carregavam abraçados junto ao peito, com muita dor, sofrimento e impotência, diante da omissão e descaso das autoridades. Todavia é bom lembrar que a maioria absoluta dos falecidos era de famílias de pouca renda, sem condições e que necessitavam dos préstimos do poder público para o atendimento. Nós estamos falando da tragédia que está ocorrendo na Santa Casa, da cidade de Belém, capital do estado do Pará e, que diante desta terrível constatação, segundo diretores daquele hospital, trata-se de problema de ordem multifatorial, ou seja, falta de estrutura, de ordem infecciosa ou administrativa e também de procedimentos técnicos e. de nossa parte estamos acrescentando a falta de vontade política. O pior é que ninguém faz nada para mudar a situação e, o pior de tudo mesmo é que recentemente a Secretária da Saúde do Pará, veio a público e justificou a mortandade como “o número de bebês mortos em hospital nessas condições está dentro do limite aceitável”, aceitável porque não tem nenhum dentre os mortos e os que possivelmente deverão morrer parente dela. Segundo estatística do próprio hospital de janeiro a meados de julho de 2.008, morreram exatamente 262 bebês, dentro da média “aceitável” pela secretaria de saúde daquele estado e, isso é ou não é um grande pesadelo, infelizmente não é, pois a coisa está acontecendo e é muito real para o desespero de todos nós. Sabem o que nos deixa terrivelmente frustrados, derrotados e sem nenhuma ação é que diante de um quadro deste, vemos que muitos animais, nada contra os animais, têm tratamento muito melhor que a maioria dos seres humanos. Perdoem meu baixo astral e derrotismo, mas, é que embora relute muito em não querer ver, acabo sempre vendo  no fim do túnel a luzinha, mais querendo apagar do que acender, infelizmente.