Devido à crise de ética que estamos vivendo atualmente, principalmente no Congresso Nacional, onde a corrupção virou procedimento comum e “legal”, isenta de quaisquer tipos de punidade. Traz-nos a mente a figura impoluta do baiano Rui Barbosa, que em um de seus memoráveis discursos, lembramos parte de um deles que focou bem o assunto da corrupção, cujo um dos trechos, dizia mais ou menos assim: “de tanto ver prosperar a impunidade e de tanto ver prosperar o poder nas mãos dos homens maus, a gente acaba tendo até vergonha de ser honesto”. Gostaria muito que todos, com bastante concentração lessem pausadamente a frase acima do finado Rui e, depois fechassem os olhos e meditassem palavra por palavra para sentir a profundeza daquela afirmação nos dias de hoje. Certamente, estaríamos vivendo exatamente o sentido daquela mensagem, com uma clareza impressionante dos fatos. Há aproximadamente uns três meses estamos assistindo e sendo informados pelos meios de comunicação, a trajetória desastrosa do Presidente do Senado, tanto no aspecto étnico quanto no moral. Deslavadamente pelos fatos apontados, tivemos a nítida impressão que toda família daquele político, trabalha e vive agindo como se parte do Brasil fosse propriedade particular deles. Diante desses acontecimentos, e de milhares de outros que ocorrem todos os dias nestes meios, infelizmente estamos como se estivéssemos anestesiados, não se vê ação nenhuma para punir, prender e acabar com toda essa anarquia. Muito pelo contrário, pois diante de tanta impunidade as corrupções estão cada vez crescendo mais, estamos exatamente num beco sem saída. Daí é que me veio como se fosse um pesadelo a infeliz idéia de aceitar para o momento a necessidade da vinda de um regime político mais austero, uma vez que para situações extremas são necessárias também medidas extremas. Realmente é um paradoxo achar conveniente a instalação de tal tipo de administração, todavia, a corrupção está tão incorporada que age como se fosse um vírus imune a qualquer tipo se medicação. É necessário fazer uma faxina urgente na política brasileira, caso contrário viveremos sempre como se fossemos uma republiqueta de 3º mundo, ou seja, onde o muito é dividido apenas entre poucos e, acima de tudo corruptamente. Segundo o Velho Testamento, no livro de Gênesis, depois de Deus ter criado o mundo, deu-o ao homem com tudo que tem de bom, apenas para ele administrar e viver em paz e em abundância. Porém, devido à depravação da humanidade, viu que a única forma de começar de novo, seria acabar com tudo, isto posto, anunciou o dilúvio. Devastou a terra e começou tudo do zero. Esse é o remédio que necessita o país, uma vez que não há nenhuma perspectiva de melhora em aproveitando o que temos, pois qualquer medida será, com certeza, insuficiente para consertar tamanha aberração política. Considerando que pelos vícios e defeitos existentes, concluímos que na nossa política o mal maior é a existência de se ter mais caciques do que índios. Assim é que jamais se conseguirá uma conciliação em prol da sociedade. A sugestão para instalação de regime autoritário, na verdade não é uma boa idéia, a gente não gostaria disso. Porém, é evidente que estamos num mato sem cachorro, num momento péssimo, com tendências a piorar. Infelizmente, considerando a situação em que nos encontramos, é necessário que ajamos como no caso das doenças violentas, para as quais se exigem remédios também violentos.