Fechei os olhos e fiz um processo de regressão mental no tempo e, de repente lá estava eu nos anos 50, quando Votuporanga era ainda uma mocinha, exibinha e, com um olhar no futuro cheia de esperanças. Ela estava muito pensativa, pairava muitas dúvidas na sua cabecinha de jovem na expectativa da realização de seus sonhos. Era, portanto, bastante compreensível as suas preocupações. E, neste devaneio todo, ela pensava seriamente como se comportaria seus habitantes com relação ao seu futuro, embora até aquele momento ela estivesse muito satisfeita com a atuação de seus filhos. Afinal de contas ela tinha em consideração, acima de tudo, que naquele tempo os recursos eram parcos e as dificuldades eram muitas. Entretanto, pelo jeitão de sua gente ela estava muito esperançosa de que quem sabe algum dia poder ser uma bela cidade e, com possibilidades de ser também líder da região. E, a cidade sabia que neste quesito tinha sido abençoada, uma vez que seu povo e todos aqueles que a escolheram para viver tinham em mente um único propósito, fazer dela um lugar feliz e acolhedor. Aliás, a cidade também foi agraciada durante todos esses anos por ter a frente de seus poderes maiores, pessoas altruístas e, acima de tudo honestas e, graças a isto jamais tivemos qualquer mancha que pudesse empanar o seu brilho. Abri novamente os olhos e retornei a realidade de hoje, confesso a todos que me enchi de muito orgulho e alegria, considerando que os presságios feitos estão se tornando rapidamente realidade. A confiança que a cidade estava desde sua tenra idade depositando nos homens daqui não foi frustrada. Todos eles corresponderam, trabalharam com afinco, amor e muita dedicação para que a cidade fosse o que é hoje, ou seja, competitiva, linda e acolhedora, um cantinho do Estado muito bom para se morar. E, neste particular, aproveitamos o ensejo para dar um “hurra” a todos os habitantes, principalmente aos pioneiros. Na verdade, esta cidade sempre cultivou a cortesia do acolhimento, fato este que a notabilizou diante dos visitantes. É tão certo isso que muitos que por aqui passaram não resistiram e voltaram para ficar. Por isso que a máxima sobre a cidade de que quem bebe de sua água jamais a esquecerá é cristalinamente verdadeira. Pois, o que somos agora faz realmente inveja a muitos municípios vizinhos. Mas, essa inveja, na verdade, não é aquela inveja negativa, mas sim de admiração, pois à medida que progredimos consequentemente distribuímos esse progresso para as nossas adjacências. Lembro-me com muita tristeza que antigamente, num passado não muito distante, Votuporanga e Fernandópolis eram rivais e, com isso, com certeza, as duas perderam, pois enquanto se preocupavam com esse bairrismo idiota, muitas coisas interessantes aconteceram sem que as mesmas percebessem. Agora, felizmente crescemos e, as picuinhas de disputas sem sentido já não existem mais, percebemos a tempo que o mundo é grande e tem espaço para todos. E, é este o espírito que sempre norteou a nossa querida cidade, ou seja, ficamos felizes com os nossos sucessos, porém, com os dos outros também. Parabéns Votuporanga pelos seus setenta e três anos. Muito obrigado por tudo.