Quase sempre em qualquer lugar que se esteja, nota-se visivelmente pelas atitudes das pessoas a presença marcante do desdém. Onde cada um é para si e, os outros que se danem. Tanto é verdade que me lembrei de um fato lido em uma revista, sobre um trabalhador brasileiro, que através de um intercâmbio Brasil e Suíça, ganhou três meses de estágio em uma fábrica de veículos daquele país. Em lá chegando ficou hospedado na casa do coordenador do programa, o qual arranhava o português e, foi o suficiente para se entenderem. Diz o brasileiro que no primeiro dia, levantaram-se cedo e após os preparativos normais, de carro rumaram para a fábrica onde passaria três meses aprendendo e aperfeiçoando novas técnicas de manutenção de veículos. Quando o colega suíço chegou à fábrica, o brasileiro ficou deslumbrado ao ver a grandiosidade das instalações. E, no pátio de estacionamento dos veículos, ainda tinha poucos carros estacionados, pois era cedo. No entanto, seu colega estacionou o carro na última vaga do estacionamento, bem longe da entrada para o serviço. E, caminharam a pé quase três quadras de distância, isto no primeiro dia. Não houve nenhum comentário do brasileiro. Ocorre que durante todo o curso, o fato se repetiu sistematicamente, isto é, chegavam cedo e iam estacionar o veículo bem longe da entrada e, completavam o trajeto a pé até a guarita da fábrica. Todavia, quando chegou o último dia de aprendizado, na euforia do fim do estágio, o brasileiro não resistindo à curiosidade contida durante todo o curso, perguntou ao suíço: Colega, por que sempre chegamos cedo e, você sempre estaciona o carro tão longe da entrada, sendo que há vagas bem próximas do relógio de ponto. O suíço respondeu serenamente. Sabe amigo, aqui ninguém tem vaga fixa, mas, como chegamos cedo temos algum tempo para caminhar até a entrada sem problemas de atraso. Acontece que sempre deixamos as vagas próximas para aqueles colegas que por um motivo ou outro precisam chegar um pouco mais tarde e, assim não precisam sair correndo ou ficar preocupados em chegarem atrasados. O brasileiro ruborizado e bastante envergonhado suspirou e murmurou baixinho com sarcasmo “igualzinho no Brasil”. Infelizmente, aqui as pessoas usam indevidamente sem se preocupar com os outros até as vagas especiais. Sim, aquelas designadas para deficientes, ambulâncias e outros mais. Num outro aspecto, mostrando que ninguém está preocupado com ninguém é só olhar o estado que se encontram os rios, os mares e as próprias praias, onde a sujeira e o lixo predominam. E, de tão sujos e repugnantes que esses locais se encontram, não dá nem para acreditar que são habitados por seres humanos, tal é a paisagem de degradação que fica exposta aos nossos olhos. A novela não tem fim, haja vista que só para ilustrar mais uma situação degradante, assisti pessoalmente esta semana uma cena corriqueira, porém, a gente não acostuma nunca, a saber: Um casal, acompanhado de uma criança, propositadamente jogou na calçada uma latinha aberta de refrigerante e um pedaço de lanche, sem a mínima preocupação, é como se estivessem na casa deles, aliás, deve ser um lixo, imagino. Mas, o pior de tudo é que pedi aos mesmos com educação para recolherem aquela sujeira e, além de não fazer, ainda, recebi como resposta da “senhora” um sonoro palavrão, só me restou a decepção e o encargo de recolher os detritos, numa lixeira pública existente ali perto. Com muito pesar, concordamos que a máxima popular é verdadeira, ou seja, os outros que se danem.