A opinião pública está de luto

Lamentavelmente continuamos a observar de camarote, devidamente acomodados os desmandos políticos e como dito por todos, o mesmo já está totalmente incorporado na vida do cotidiano brasileiro. Tanto é verdade que cada vez que surge um novo escândalo, este é acobertado simplesmente pelos envolvidos e “tudo continua como dantes no quartel de Abrantes”. Porém, não é sempre que temos um caso inusitado, pela franqueza de seu autor, o deputado Sérgio Morais, que representa na Câmara Alta a simpatia de nossos irmãos lá dos pampas gaúcho. O infeliz, no papel de Relator na Comissão de Ética, num processo contra um outro parlamentar que praticou crime de ocultação de renda.  Antes do caminhar do processo, defendeu abertamente o colega, inocentando-o antecipadamente. Justificando que os desmandos do investigado era apenas um pequeno deslize, próprio da natureza humana. Até aí tudo bem, pois esse tipo de corporativismo é a tônica principal dos nobres pares. Todavia, o que mais chocou foi a sua posição com relação a opinião pública, para qual afirmou categoricamente que estava se lixando para ela. O pior de tudo ainda estava por vir, pois acrescentou deslavadamente que isso tudo não tinha nenhuma importância. Pois, na verdade, por ocasião das próximas eleições, se elegeria sem nenhum problema e quanto seus atos, não mais seriam lembrados e ninguém faria manifestação contrária. Sinceramente, ficamos todos envergonhados, haja vista, que excelentíssimo senhor deputado, infelizmente está certo e coberto de razão, uma vez que é justamente isso que acontece. Em todas as eleições somos ludibriados, encantados como se fôssemos serpentes, e ao mesmo tempo vamos para as urnas e elegemos os mesmos facínoras que nos enganaram o tempo todo. Aliás, não é segredo para ninguém, pois a impunidade possibilita esse tipo de comportamento, dando aos parlamentares trânsito livre na passarela do desrespeito das mais elementares condições éticas. Tudo isso, contudo, conta com o nosso comodismo, aceitamos toda sorte de corrupção. Sendo que a conseqüência mais grave desse descaso é a entrega liberal que fazemos para eleição dos maus políticos. Embora, devamos reconhecer que na idolatrada democracia onde quase tudo é permitido, principalmente  na Lei Eleitoral, existem várias brechas, as quais possibilitam o registro de qualquer um, desde que seja cidadão. Basta dizer que no próprio Conselho de Ética da Câmara Federal existem vários parlamentares que são membros efetivos e respondem processos de corrupção e outras coisas mais. Pressupõem-se assim que os referidos já foram eleitos com essas máculas.  É o mesmo caso que se colocar a raposa para tomar conta do galinheiro. E, por essas e outras é que a opinião pública está de luto. Não vale nada, com certeza.