Nossa que absurdo, já estamos no mês de março. Confesso que não há nenhuma pessoa que já não tenha ouvido esta frase. Uns até usam a expressão de que o tempo voa, com se fosse uma ave em plena liberdade e sem limite para parar. Todavia, essa expressão não é um sentimento unânime, haja vista que muitos acham totalmente ao contrário, o tempo para estes é como se fosse uma tartaruga com preguiça, ou seja, parece que não sai do lugar. Olha só que interessante, a gente muitas das vezes dentro de nosso “mundinho”, agarrados ao nosso eterno egoísmo não vemos nada nas adjacências, aliás, somente aquilo que nos interessa. Diante desta indagação, a gente pergunta para quem será que o tempo é uma lesma? De repente como se fosse aberta a cortina de um espetáculo, vi do outro lado da cena, um número infindável de pessoas cujo tempo realmente anda a passos de anão. Por exemplo, aquelas que se encontram doentes, prostadas num leito de hospital ou mesmo em suas próprias casas. A propósito, o artista Chico Anísio, ficou durante cento e dez dias internado na UTI, de um hospital. Será que para ele os dias foram velozes e passaram como um sopro de vento. Cremos que não. E, para àqueles que estão presos, vendo toda manhã o sol nascer quadrado e sem graça nenhuma, não vamos entrar no mérito do merecimento ou não da reclusão, apenas saber se o tempo para eles voa como um passarinho. Em quase todas as paredes de prisão, cada prisioneiro tem seu calendário afixado num cantinho, onde marca com um x bem grande os dias que estão passando. A todos eles, indistintamente, sempre parece que os x estão andando para trás, resultado de uma expectativa provocada pela angústia de uma liberdade tolhida e sentida. Na verdade, a sensação é esta mesma, o tempo parece parado e os minutos são contados um a um, até o fim. E, àqueles esquecidos nos asilos, cujo tempo já não mais interessa, haja vista que as perspectivas se esvaíram no fluxo triste de suas existências. Considerando também que o idoso nestas condições jamais olha para o futuro e, sim para o passado, pois, de certa forma o futuro não existe mais e o tempo já parou faz muito tempo. E, quanto àquelas mães desesperadas, ansiosas e, acima de tudo esperançosas, por este mundo afora, cujos filhos sinistramente desapareceram, ficando apenas a saudades da presença alegre e do sorriso inocente. Sistematicamente todos os dias ficamos sabendo pelos jornais escrito e televisado do sumiço de uma criança. Vemos espalhados por todo tipo de comunicação fotografias de inocentes desaparecidos e pedido de socorro de pais desesperados pela angústia da separação. Mesmo aqui em nossa querida cidade já tivemos alguns casos de crianças desaparecidas e, que até hoje se encontram sem solução. Só por um momento nos coloquemos numa situação semelhante, com certeza, o tempo não vai passar nunca e ficará preenchido pelo desespero e pela dúvida de nunca mais encontrar aquele anjo. E, voltando à realidade, para essas mães infortunadas o tempo definitivamente parou exatamente no momento daquela fatalidade. Portanto, fato é que o tempo depende, dispara na felicidade e pára na infelicidade. Todavia, é oportuno lembrar que a criatura humana no princípio não foi feita para sofrer, pelo contrário, Deus a fez para que viver bem e em abundância. Infelizmente, por liberalidade do próprio homem a humanidade começou a conhecer as mazelas da vida, depois da desobediência no paraíso e, cujas conseqüências estamos todos presenciando e sentindo. A partir daí é que ficaram bem caracterizas as duas condições existentes, gozar a vida, quando puder ou ser gozado por ela, mesmo que não puder. Então fica assim, se você estiver no bem bom, o tempo é um trem bala e, se você estiver na pior, o tempo será apenas uma Maria Fumaça. Na verdade, o tempo, depende.