O tempo

“Ai que saudades que eu tenho da aurora de minha vida, da minha infância querida que os anos não trazem mais”, verso da incrível poesia “Meus oito anos”,  do saudoso poeta Casimiro de Abreu. De repente me passou pela cabeça um filme sobre o tempo, que inexoravelmente passa e deixa rastros de saudades e por vezes de tristeza, porém, é sempre bom recordar os bons e os maus momentos, onde questionamos as nossas ações e, fica sempre uma grande interrogação sobre as atitudes que poderiam ser diferentes. Mas, infelizmente, o tempo não tem marcha-a-ré, podemos consertar na pior das hipóteses, algumas falhas com uma desculpa esfarrapada e, na maioria das vezes nem isso é possível. Quanto de nós nessa idade inocente não tinha elaborado na cabecinha infantil milhares de planos para o futuro, inclusive vislumbrando futuros promissores, com pensamentos fixados naquilo que gostaria de ser quando crescer, uns médicos, outros, jogadores de futebol, dentistas, engenheiros, advogados, enfermeiros, professores, padres, pastores, etc. Quantos conseguiram seus intentos e, quantos não conseguiram? Somente o tempo é que teve preso o segredo da vida, o qual foi sendo desvendado no passar das primaveras, de acordo com o desempenho, perseverança, dedicação, amor e acima de tudo aproveitamento das oportunidades que se apresentaram durante a caminhada de cada um de nós. O tempo é e sempre foi o fiel da balança, pois é ele que regula as emoções, tanto no aspecto do bem quanto do mal. É como diz um velho ditado popular “o tempo é o melhor remédio”, tanto para esquecer como para se lembrar, basta que se saiba cultivar com sabedoria o mover dos ponteiros do relógio, sabendo aproveitar cada momento da vida que Deus nos proporciona, daí vamos colher, com certeza, bons frutos e paz serena para o espírito e a alma.  Quando se  reflete com calma e se concentra, principalmente em algum momento penoso de difícil solução, na maioria dos casos encontra-se a saída, porque é certo que quando todas as portas se fecham, Deus abre uma janela, contudo, é certo que por pura falta de fé e reflexão, muitas vezes não se  enxerga essa luz. Tudo se resume numa questão de tempo, pois é ele o termômetro da vida. Segundo uma fábula, “o Amor perdido e sem esperanças, se vê de repente, num curto espaço de tempo, localizado e cheio de esperanças, indaga para a Sabedoria quem o tinha levado ali, a Sabedoria responde que foi o Tempo que o tinha trazido, o Amor pergunta, por que o Tempo se preocupou com ele, a Sabedoria responde que sòmente o Tempo é capaz de compreender um grande Amor”.  Deduzimos assim que o importante é deixar o tempo nos levar, fazendo a nossa parte, desfrutando da vida com abundância conforme o prometido pelo Criador.