Há alguns anos atrás fomos brindados com a instalação do sino no relógio da Matriz, além de se tornar numa atração singular para a cidade e região, ficamos com status de nação londrina, onde há mais de quatro séculos na cidade de Londres, o relógio Big-Bem, reina tranqüilo e majestoso e, é orgulho do mundo inteiro, com suas badaladas sonoras e gratificantes. Por questões que não vêm ao caso discuti-las, de repente sem que houvesse motivo plausível e, se houve também não nos interessa comentá-las, águas passadas, mas fomos naquela oportunidade, privados do som gostoso e ameno do relógio da matriz. Ficamos todos muito chateados e, a população mais uma vez ficou a ver navios. Enfim, como as coisas na maioria das vezes, principalmente aqui no Brasil, passam e ficam por isso mesmo, isto é, “deixa pra lá, para ver como é que fica”, a vida continuou e o sino parou. Estou meio encucado, porque quando estava tentando escrever sobre este assunto, um beija-flor me confidenciou que naquela época do desligamento do sino do relógio, foi devido ao incomodo e desconforto que o som estava proporcionando para alguns. Afugentei o beija-flor, pois não quis acreditar naquilo que me dizia, uma vez que existem barulhos realmente desagradáveis, o que não é o caso com relação ao sino do relógio e, os suportamos obrigatoriamente todos os santos dias. Como exemplo temos, os buzinaços dos veículos, os carros de sons, fazendo propagandas do comércio local, os foguetórios constantes, às vezes sem motivos aparentes, as sirenes tristes dos veículos da polícia, corpo de bombeiros, ambulâncias, o barulho ensurdecedor das milhares de motocicletas, com seus escapamentos abertos e, outros mais. Todavia, é certo que todos esses sons, misturados com o barulho natural das pessoas e dos animais, fazem parte do contexto cidade, pois, não existe em nenhuma parte do mundo uma cidade completamente silenciosa, graças a Deus. Independentemente de tudo isso, questão de quinze dias atrás, depois de mais de dois longos anos de silêncio, fomos surpreendidos, aliás, com muita satisfação e alegria com o retorno do imponentemente sino do relógio da Matriz e, com isso voltamos a exibir ares de cidade grande, invejada por toda a região. Para que isso perdure é necessário que tenhamos a consciência de que o sino do relógio, não é do padre e nem da comunidade católica, ele pertence orgulhosamente a todos os votuporanguenses que se deliciam com seu badalar harmonioso, aconchegante e, acima de tudo muito útil a população.