Interessante lembrar que lá pelos idos da década de cinqüenta, existia no curriculum escolar uma matéria chamada Latim. Naquele tempo considerava-se que a citada língua era a mãe da língua portuguesa. E, na verdade ela o é, por isso havia-se necessidade desta matéria para que os ensinamentos ministrados tivessem força de identificação da origem de nossa fala. Como a matéria descendia de países da velha Europa, particularmente da Itália, não poderia ser diferente que o professor fosse um padre, considerando seus conhecimentos dos velhos pergaminhos das antigas populações. Assim é que hoje, principalmente no direito brasileiro, os termos em latim são comumente usados para expressar situação de destaque nas peças processuais. E, propicia sem dúvida nenhuma um suposto conhecimento aos causídicos que por ventura usam desse expediente. Portanto, há de se convir que a maioria das expressões em latim usadas pelos filósofos, historiadores e doutores da lei, direcionava a tratativa do assunto, quase sempre, para quesitos mais voltados para a moral e aos bons costumes. Considerando tudo isso, me veio a mente algumas colocações daquele tempo que ainda hoje são caminhos a seguir e, que com certeza delineiam as atitudes, colocando em destaque o procedimento correto das pessoas. Existia e, que certamente era repetida pelo professor que tinha o intuito na época de reforçar aos alunos como é importante que a conduta das pessoas siga uma sintonia afinada com o bem viver em comunidade. Eu, sinceramente confesso que não era muito bom na matéria. No entanto, existia uma frase, da qual guardei somente a tradução, não saberia escrevê-la em latim, porém, ela me seguiu pela vida toda e, dizia mais ou menos assim: “somente os tolos e imbecis escrevem os seus nomes em qualquer lugar”. Vejam só que frase de impacto, pois se neste momento formos fechar nossos olhos ou simplesmente olhar para o lado podemos lembrar ou ver um desses exemplos destacados. Pode ser que até nós em algum momento já fizemos isso, seja por apenas vaidade em gravar o nosso nome, ou seja, por um momento de fraqueza sentimental onde quisemos perpetuar algum amor “eterno”. Por exemplo: “fulana de tal eu te amo – fulano”. Se, alguém reforma a calçada defronte a sua casa e no período do cimento ainda fresco, se não ficar tomando conta, fatalmente algum iluminado irá escrever “fulano de tal, o bom da paróquia” ou, outra frase qualquer de efeito, para perpetuar a sua ignorância.. Também não podemos deixar de considerar as pichações em muros e paredes recém pintadas, quando surgem também os artistas, usando para tanto não o seu nome de batismo, mas um codinome de guerra, ou seja, “Robin Wood e seus asseclas” e, daí por diante. Considerando que o nome significa a personalidade da pessoa, ele, portanto, deve ser cuidadosamente conservado e defendido através de uma conduta exemplar, isenta de quaisquer deslizes, para servir de modelo a aqueles que o cercam, particularmente seus familiares. O nome é o maior tesouro de uma pessoa, pode até como homenagens póstumas, virarem nome de placa indicativa de ruas, avenidas, praças e ou logradouros públicos. Entretanto, a satisfação maior fica sempre para os descendentes, principalmente os filhos, que guardarão na lembrança o orgulho de terem tido pais dignos e merecedores de todo o respeito. Já imaginaram a decepção que deve invadir o coração daqueles que são parentes próximos de políticos corruptos! Ou de pessoas drogadas e irresponsáveis. Portanto, é preciso usando todo esforço possível e impossível guardar e conservar intacta a “jóia rara”. É responsabilidade nossa nunca deixar que se brilho seja embaçado, pois o nome é tudo, não o deixe cair na lama. Se cair já era.