Não tenho tempo

Quantas e quantas vezes todos nós já ouvimos esta expressão: “não tenho tempo”. Interessante que essa desculpa não é privilégio dos mais ocupados, mas campeia também no dicionário dos menos ocupados. Enfim, faz parte do cotidiano de quase todos nós esta colocação. E, em muitas oportunidades nos arrependemos amargamente por não ter estado presente em algum lugar por pressuposta falta de tempo. Dia destes estava conversando com um amigo e, ele estava me contando que tinha um irmão que morava numa cidadezinha lá nos fundão do estado de Mato Grosso. E, lamentavelmente recebeu notícias que o mesmo havia falecido. Como era um parente que há muito tempo não via e, além disso, morava muito longe, estava achando oportuno dar a famosa desculpa da falta de tempo para não ir. E, diante do impasse e não querendo ficar remoendo sozinho esta responsabilidade, perguntou a um outro amigo seu sobre qual deveria ser a sua decisão. O amigo surpreendentemente, disse: “Se eu fosse você iria de qualquer jeito, pois, se não for ficará a vida inteira com esse remorso e, só pela desculpa da falta de tempo não aliviará esse futuro peso de consciência.” Finalizando disse que foi e ficou bastante tranqüilo com isso e, se sentiu como se tivesse tirado um grande peso do coração Na verdade, em quaisquer circunstâncias, acabamos no afogadilho da correria do dia a dia nos envolvendo com mil e uma coisas que fatalmente obscurecem a nossa visão para os acontecimentos exteriores. Quando você vive o “não tenho tempo”, obviamente se morre por dentro porque, geralmente, se esquece de tudo, inclusive das pessoas que nos são caras. Você acaba não tendo tempo de visitar um amigo doente e, às vezes, nem de pelo menos dar um telefonema. Você esquece do filho que de repente cresce e você, sem se aperceber, porque nunca teve tempo, começa a conviver com um estranho. E, o pior de tudo isso é que realmente você acaba não tendo tempo nem para o próprio Deus.  Se bem sei, o arrependimento posterior por se passar à vida sem ter tempo, é muito amargo e, geralmente, a conseqüência que nos resta é a solidão. Conheci há muito tempo um gerente de banco que morrera abandonado e totalmente enfermo tanto fisica como mentalmente. Passara ele toda a sua vida dedicada ao trabalho, não tinha tempo para mais nada, inclusive alimentava-se às pressas para atender a demanda das atividades. E, diante deste quadro crítico, seus últimos suspiros foram de lamentação murmurando o seguinte: “Se Deus me desse outra oportunidade, jamais faria o que fiz, estou morrendo pobre e abandonado, não tenho amigos, nada valeu, perdi meu tempo”. Hei pessoal, ainda dá tempo de levar a vida, ao invés, de deixar a vida te levar. Escolha.