Desde que o mundo é mundo, há mil interpretações para a assertiva “não se pode servir a dois senhores”. Por conveniência ouvimos alguns se manifestarem contra, haja vista que entre o dinheiro e Deus há uma distância bem considerável. Sendo que essa convivência encontra grandes atritos, pois o dinheiro tem o poder absoluto de desviar a personalidade do homem e, é aí que a coisa pega. No Evangelho há uma colocação em que Jesus ao questionar uma pessoa abastada, pela sua negação em se afastar da riqueza, disse: “é mais fácil um camelo passar pelo fundo de uma agulha do que um rico entrar no reino de Deus”. Convenhamos que seja uma afirmação terrivelmente absurda, porém, é literalmente verdadeira para àqueles que são escravos do dinheiro. Há séculos após essa colocação do Mestre que as opiniões se divergem. Existem aqueles que acham ser possível essa convivência, pois o dinheiro pode tudo, inclusive fazer calar consciências e atitudes. Outros, porém, mais prudentes vêm impossibilidades mil, considerando que os critérios de Deus diferem daqueles emanados pelo dinheiro. Quando se diz que não se pode servir a dois senhores, é evidente que isso é verdadeiro, haja vista que os conflitos são visíveis a olhos nus, pois não há em espécie alguma possibilidade de conciliação entre as partes. Considerando que uma delas, no caso específico o dinheiro, tem comprometimento individual, ao passo que Deus se preocupa com o bem estar em sentido universal. Todavia, é natural alguns questionamentos sobre o assunto, uma vez que não temos condições de viver sem o dinheiro, pois é ele que define quase todos os nossos atos. E, mediante isso, então como fica? É óbvio que a prudência da compreensão desta dúvida reside, com certeza, em função do nosso procedimento. É aí que somos chamados a responder a pergunta: Somos apegados ou não às coisas materiais? Se a resposta nos deixa dúvidas, é certo que somos. Daí, fatalmente servimos a dois senhores. Só para exemplificar, semana que passou estava eu deliciando os prazeres do litoral brasileiro, tudo era bonito, os prédios suntuosos, os carrões milionários, as pessoas eram chiques e elegantes, enfim era tudo um bom pasto para os olhos. A gente até pensava que estava no Jardim do Éden tão encantado era o ambiente e as paisagens. De repente, tudo acabou para mim, minha auto estima foi à zero. Bem, diante de mim uma cena completamente destoante de tudo que ali estava. Vi um pobre homem, todo roto e maltrapilho, estava removendo um latão de lixo de um daqueles prédios suntuosos e procurava comida, achando-a começou separar as sujeiras que ela continha e o que achava estar limpo comeu ali mesmo. Creio não ser preciso dizer mais nada. Desculpem-me. Feliz Páscoa.