Fui dia destes levar o meu neto a um evento qualquer, não me lembro onde, porém, o meu papel era simplesmente de motorista, não cheguei a entrar no recinto. Pelo trajeto, aproveite a companhia do garoto e comecei a jogar conversa fora a título de matar o tempo e tentar saber como funcionava a cabeça dele. Perguntei sobre os estudos, a resposta foi rápida e rasteira, ele só me disse que estava muito “manero”, e ia fazer os exames vestibulares numa boa, caso não passe estava com um projeto de montar uma banda e ser cantor. Aí eu mostrando uma euforia amarelada, arrematei dizendo, que bom, então você vai estudar música, ele emendou, que nada vô eu só vou tocar de ouvido, pois na verdade eu não gosto muito de estudar. Entre murmúrios, concordei com um “manero cara”. Mudei de assunto, me atrevi a perguntar se estava freqüentando a igreja, daí a coisa pegou um pouco, pois ele me respondeu, sabe “vô” agora no momento não estou tendo muito tempo, mas não se preocupe, eu particularmente amo e respeito muito a Deus. Fui esticando a conversa e emendei logo uma pergunta sobre relacionamentos, comecei “manero”, perguntei sobre amizades. Em seu comentário sobre o assunto, disse-me que as amizades são boas, porém, não existe um vínculo forte, há sempre uma independência para cada um agir conforme suas conveniências. E, acrescentou que não existem raízes profundas e que as amizades vão e voltam, tudo depende. A conversa estava ficando animada e, foi aí que aproveitei a “deixa”, para entrar no assunto dos namoros. Segundo ele, era o assunto mais agradável, pois de fato os encontros, sempre acontecem com muita alegria e entusiasmo. Porém, é certo que a relação não é duradoura, tudo é muito rápido, mas é bom entender que esse desinteresse todo acontece de ambas as partes, ou seja, as meninas também não gostam de compromisso fixo. Corri o risco de ficar sem respostas, mas mesmo assim, voltei a carga sobre os estudos, dos quais ele me disse não gostar muito. Aí comecei aquela ladainha que nenhum jovem gosta, sobre os benefícios de se saber cada vez mais através dos estudos e como é importante para definição de um futuro melhor. Ele, e todos os jovens sabem, mas teimam em não ouvir que estudar é vital para o futuro, pois sem ele o futuro será sombrio. Vô, eu sei disso tudo e tenho me esforçado muito, porém, eu acredito que deva fazer alguma coisa que me satisfaça e que não deixe o senhor muito preocupado, olha vô eu gosto muito de música e de mexer com computador. Eu acredito, completou ele que deva me especializar numa destas duas áreas, ou quem sabe nas duas. O que o senhor acha? Respondi muito eufórico, eu acho ótimo, porém, não se esqueça que mesmo assim, você precisa estudar para alcançar esses seus objetivos. Ele num gesto carinhoso apenas acenou a cabeça, concordando comigo. Já estava chegando ao evento e, achei oportuno colocar mais uma coisinha para completar o nosso papo, e falei: Querido, eu só gostaria que você na sua caminhada continuasse sendo uma pessoa respeitosa com todos, com seus pais, seus professores e, principalmente consigo mesmo, promete! Ele desceu do carro e, debruçou-se na porta com um largo sorriso, disse: “manero vô”, fica frio. Interessante que desse papo amistoso, conclui que na maioria das vezes por excesso de zelo e cuidado, impomos nossas ambições e desejos para nossos filhos e, lamentavelmente não perguntamos a eles se é isso que querem.