Interessante que se formos observar neste mundão de Deus, temos homenagens de todos os tipos, de pessoas, de profissões, de santos, de atos heróicos e de outras modalidades que mereceram destaques. No calendário anual, todos os dias comemoram alguma data festiva, seja histórica ou comum, porém, é certo que alguém ou alguma coisa foi lembrada. A título de informação, citamos que lembramos: o dia dos pais, das mães, do bombeiro, do agricultor, do médico, do farmacêutico, do engenheiro, do dentista, da enfermeira, do padre, do advogado, das datas cívicas e também religiosas, enfim é um rosário imenso de homenagens, por sinal, merecidas. Todavia, fiquei pesquisando e não consegui descobrir o dia das incansáveis donas de casa. Sinceramente não sei por que razão, porém, independente destas lembranças registradas, cheguei a infeliz conclusão que as donas de casa pertencem à classe de mulheres mais injustiçadas da face da terra. Também, não se tem a menor dúvida que as donas de casa não gozam de nenhum tipo de prestígio. Tanto é verdade que elas próprias quando são indagadas se trabalham em algum lugar, respondem humildemente que não, como se em ser dona de casa não representasse trabalho. Tal atitude evidencia claramente que ser dona de casa não é um papel reconhecido na sociedade, tanto é verdade que milhares delas já desistiram de sê-lo. O fardo e o encargo delas são por demais pesados, haja vista que a dona de casa não pode levantar tarde, sob pena de tudo virar uma bagunça. O seu trabalho é estafante, tem que cuidar de tudo numa rotina sem fim e, o mesmo só é notado quando não é realizado. No entanto, quando isso ocorre, o que é muito raro, alguém que deixou de ser servido reclama apenas da falta do serviço, sem se importar jamais com o que pode ter acontecido com a dona de casa. Todo santo dia é a mesma coisa, sem reconhecimento, sem gratidão, sem elogio, a limpeza da casa, o café, as compras, o almoço, o jantar, os filhos, o marido, não rara das vezes, tem a sogra doente ainda para cuidar. Na verdade, todos têm direitos, enquanto a dona de casa somente deveres. E, neste turbilhão de afazeres, a figura desta mulher não esmorece se entrega totalmente, pois a sua missão é nobre e não carece de reconhecimento para seguir em frente, basta o seu amor para com os seus semelhantes. A dona de casa é uma personagem impar, angelicamente revestida de brilho divino, pois, sozinha consegue incorporar com muito amor e dedicação a figura de esposa, mãe e, de todas as demais mulheres abnegadas deste imenso universo. Seu único consolo é que quando morrer, lá no céu não entrará na fila para falar com São Pedro, pois é certo que o próprio Deus a receberá pessoalmente. Ah, ia me esquecendo, não há necessidade de se instituir um dia exclusivo para a dona de casa, uma vez que todos os 365 dias do ano já são dedicados a ela. Vejam só que grandeza.