Por mais que a gente se esforce, não dá para compreender certas situações absurdas que existem. Um exemplo mais gritante é quando você presencia nos noticiários as diferenças existentes nos atendimentos, em quaisquer deles, sem exceção. Mas para início de conversa vamos nos ater no momento ao atendimento hospitalar, onde por esse Brasil afora ocorrem as maiores aberrações possíveis e inimagináveis. Existem cenas que por mais que você seja liberal com o sistema, não dá para acreditar que seres humanos são tratados como se fossem bichos, não que os bichos são tratados mal, mas é uma comparação esdrúxula que fazemos. Na verdade estava eu assistindo a um jornal de televisão sobre esse assunto e focava o atendimento de um hospital de uma capital do norte do país, onde os desmandos e descasos com os doentes era de se estarrecer. Num dos casos, deram alta médica a um jovem de dezoito anos, que fora acidentado brutalmente por colisão no tráfego e, após quinze horas que o garoto estava em casa veio a óbito. Descobriu-se mais tarde pela guia da alta hospitalar que o paciente a ser dispensado era outro e que ainda continuava internado. Houve simplesmente uma troca de papeleta. É ou não é um absurdo. Nesta mesma reportagem, várias e várias pessoas sem a mínima condição de remoção, eram dispensadas de atendimentos por motivos variados, um deles e, por sinal o principal motivo era que não tinha médico, ou melhor, o médico não foi trabalhar. Apareceram na reportagem outras mazelas, mas fiquei tão p… da vida que passei para outro canal jornalístico, onde a desgraça era desfilada da mesma forma, as vezes de outros assuntos. E, de repente para premiar o meu dia veio à tela da TV, mais uma vez a reportagem das passagens aéreas do legislativo federal. E, aí um deputado “cara de pau”, falou se houvesse corte ou restrições nos procedimentos, proibindo as benesses dos parentes, como ele faria para trazer a esposa e filhos à Brasília para vê-lo. Isso se acontecesse poderia acabar com o seu casamento, como é que ele ficaria nesta situação. E, aí num lampejo de muita tristeza, me lembrei de nossos irmãos nordestinos que por ocasião da colheita da cana-de-açúcar, vem para o sudeste trabalhar nos canaviais. Chegam aqui pobres, trabalham durante meses em condições subumanas e, depois voltam para seus lares mais pobres do que quando chegaram, sem contato com a família por um longo período. Por que será que esses pobres nordestinos não têm as mesmas benesses das que têm os “pobres deputados”, pelo menos no detalhe de ter uma vida digna e poder visitar a família, na pior das hipóteses, uma vez por mês. Eu sei que é exagero de minha parte, mas a gente fica chateada porque sabe que as desigualdades, na maioria das vezes acontecem pela ganância insaciável do homem maculando o próprio homem. Não sobra muito porque poucos querem muito.