Desculpe-nos, professor Benedito

Gente, nunca me senti tão deprimido e tão envergonhado, quando li a carta aberta da professora Celeste de Oliveira Abbas, sobre a singela homenagem prestada pelo cronista Fausi Kanso, ao seu pai o professor Benedito de Oliveira. Eu tenho certeza que estas minhas lamentações não querem dizer nada agora. Pois, na oportunidade de seu passamento, houve apenas tristeza e sentimento, mas, nenhuma citação de destaque aconteceu e as lembranças todas se apagaram como se ele não tivesse sido nada. Eu, particularmente me coloco entre aqueles que não deveria ter esquecido o grande mestre, uma vez que crescemos vendo e aprendendo os seus ensinamentos e, acima de tudo a sua simplicidade sempre nos norteou para a singeleza da vida. Considerando que o professor era uma pessoa elevadamente culta, poderia se quisesse ser um empedernido, todavia, a sua formação o fazia aquela pessoa doce, agradável e amigos de todos que o cercavam. A Celeste colocou uma coisa muito importante, com relação ao seu pai, ele foi um dos pioneiros da cultura na cidade e, o slogan “Votuporanga, Capital da Educação”, há de se convir que o professor seja responsável por uma fatia considerável deste honroso título. Pois, como é sabido uma grande maioria de pessoas da cidade que são destaques hoje passou pelos ensinamentos do velho mestre. Portanto, ele foi sem sombras de dúvidas uma figura exponencial na vida de Votuporanga. Agora, relembrando, quem não se lembra daquela figura modesta no vestir, que atravessava a cidade, carregando a velha pasta de couro, com um perene sorriso nos lábios e a todos indistintamente cumprimentando como se fosse uma grande família que o pertencia. De fato, o professor era assim, muito amigo e de um coração grandioso e, quem não o conhecia, ao vê-lo não poderia imaginar que dentro daquela figura modesta, residia um poço de sabedoria, um grande doutrinador. Na verdade, a história nos conta que infelizmente o reconhecimento público dos grandes homens, na maioria dos casos somente aconteceu anos depois de suas mortes. Todavia, é certo comentar que considerando ser a nossa cidade de porte médio, onde quase todas as pessoas se conhecem de há muito tempo, principalmente àquelas mais antigas, episódios desta natureza não poderiam, jamais morar no ostracismo. Porém, faz parte do ser humano esquecer muito depressa das coisas que aconteceram em suas vidas. Mais particularmente das pessoas que lhes foram queridas e, até por que não dizer, mesmo daquelas que significaram muito naquilo que hoje são. O sentimento da ingratidão baila livremente em nosso coração, por isso somos congenitamente uns ingratos, infelizmente. No entanto, algo me diz que num futuro não muito distante, nossos legisladores encontrarão alguma forma de resgatar este lapso imperdoável, proporcionando uma homenagem digna e sem manchas ao saudoso professor Benedito.