Desculpe, eu errei

Como é difícil ouvir das pessoas essa frase “desculpe, eu errei”, até se formos aos presídios e entrevistarmos todos os presidiários, vamos lá encontrar sòmente inocentes, ninguém é culpado.  Existem desculpas para tudo, não há espaços em nossas atitudes para assumirmos responsabilidades, a culpa sempre é dos outros. Na escola, a nota baixa tirada pelo aluno, é culpa da professora, nunca do aluno, coitadinho sempre esforçado, a professora a persegui-lo com exigências que ela mesma não ensinou. Nos confrontos, polícia versus marginal, a culpa é da polícia que sempre excede seus limites, praticando uma opressão em cima dos coitadinhos dos marginais indefesos e inocentes. As balas perdidas que matam as pessoas, por culpa exclusivamente delas que ficam transitando nas ruas sem o devido cuidado, atrapalhando sobremodo as atividades dos inocentes marginais. O time que perde, nunca foi por sua única e exclusiva deficiência, mas sim o juiz que foi arbitrário e o prejudicou descaradamente, jogando por terra todo planejamento de uma temporada inteira. O marido que sempre põe a culpa na esposa e, vice-versa, pois após todas as discussões, não se acha à culpa, nunca acontece de um deles se incriminar, sempre os dois estão certos, a culpa não é de ninguém, ou melhor, é do vizinho. O irmão acusa a irmã da falta de irmandade, ou vice-versa, desprezam a beleza da fraternidade familiar, absolutamente não se culpam a culpa sempre é da ausência de amor. Os profissionais autônomos, as autoridades de maneira geral nunca erram, e o povo se sente sempre só, desprestigiado, oprimido e inocente. Os políticos, é aí que reside à classe mais áurea da história da humanidade, são acima de tudo os intocáveis, façam o que bem quiserem, jamais serão molestados, errar é uma palavra que nunca fez parte do dicionário destes anjos de criaturas, protetores perenes da honra e da dignidade do povo. Como vimos, satirizando a situação,  à frase “desculpe, eu errei”, jamais será proferida, pois, afinal de contas, todos somos inocentes.