Quando eu era moleque e, já faz um bocado de tempo, meu saudoso avô paterno, o seu Joaquim, já dizia para todos ouvirem: “o mundo está virando de cabeça para baixo, está todo mundo louco, tem muito ladrão e muita gente sem vergonha, etc.”. Agora em pleno século XXI, a ladainha é a mesma, embora se deva considerar que com o aumento populacional a quantidade de crimes e safadezas aumentou mais. O que quero dizer que há uma tendência muito grande de ocorrências desagradáveis, às quais, tem deixado à população um tanto quanto alarmada. No entanto, o que se pode constatar é que o desenvolvimento muito rápido da tecnologia, a divulgação de notícias através da imprensa ganhou um destaque acelerado através dos meios de comunicação com velocidade acima do esperado. É fato também, que quando acontece alguma coisa relevante lá do outro lado do mundo, a China, por exemplo, no exato momento fica-se sabendo aqui daquilo acontecido lá. Até aí tudo bem, porém, um quesito que nos tem preocupado sobremaneira é quanto à exploração máxima dos acontecimentos desastrosos pelos meios de comunicação. Tanto é verdade que outro dia estava assistindo a um jornal televisivo e, só por capricho consegui contar que das notícias dadas aproximadamente 80% delas falavam de tragédias. Aliás, é público e notório que conforme índices de audiências medidos há uma comprovação de que os programas de notícias catastróficas têm mais telespectadores do que as demais programações. Exceções feitas às novelas, que infelizmente são as campeãs de audiências, todavia, as mesmas já fazem naturalmente parte do grupo seleto de exemplos ruins, principalmente para as famílias. É, como diz o velho ditado, “miséria pouca é bobagem” e, para tanto, temos ainda em nossa degustação cultural programas exclusivos de notícias ruins. Sobre crimes, acidentes, seqüestros, corrupção e, toda sorte de malefícios, á disposição de quaisquer gostos. Em vista disso, sem se aperceber a gente se vê cercado e blindado dentro de um universo cheio de informações e respostas negativas, manipulando o nosso subconsciente ao ponto de se acreditar que tudo que nos cerca é ruim e não presta. Em cima deste tópico, eu e um amigo discutindo sobre esse assunto, percebemos que a maioria das pessoas sugestionadas por essa enxurrada de informações negativas, acredita que uma porcentagem significativa de pessoas é lixo e não presta. É claro que não chegava a ser uma discussão, uma vez que eu e meu amigo partilhávamos da mesma opinião, ou seja, acreditamos piamente que não é verdade essa tônica, pois a nosso ver existem muito mais pessoas boas do que más. E, para ilustrar mais o nosso ponto de vista, me lembrei de uma passagem em um Seminário sobre Logística Comportamental entre Pessoas. No qual, como destaque principal foi uma dinâmica grupal, onde o palestrante distribuiu à todos uma folha de papel sulfite e, pediu que fosse feito em cada face do papel a seguinte anotação: numa face deveria ser anotado todos os defeitos de qualquer pessoa, a critério individual de cada um e, na outra face todas as virtudes da mesma pessoa escolhida. Após o término do trabalho, o palestrante recolheu as folhas e começou um bate papo com os participantes, dentre os comentários surgidos ficou mais ou menos evidente que a tarefa atingira os objetivos. Uma vez que todos ficaram surpresos com o que descobriram, pois, a face da folha das virtudes tinha muito mais anotações do que na folha dos defeitos. Portanto, para os descrentes na humanidade e que são mais suscetíveis às coisas ruins, é importante saber que no mundo, graças aos desígnios de Deus, há muito mais gente boa do que ruim. E, para conferir tal dádiva, basta olhar ao nosso redor, vamos, com certeza, verificar isto.