Descrença

Quase que sintomaticamente todos nós no final de cada ano, cheios de expectativas e de muitas esperanças, fazemos preces e pedidos, desejando ardorosamente que o próximo ano que se aproxima seja diferente e melhor. Com certeza absoluta foi o que deve ter acontecido no início deste 2.011, jogamos todas as fichas neste futuro incerto, torcendo para que tudo dê certo. Embora estejamos apenas terminando a primeira quinzena de janeiro, infelizmente, parece-nos já estarmos sentindo cheiro de chifre queimado no ar, ou seja, a coisa está começando mal. No lado político, descaradamente estamos vendo em todos os jornais escrito e falado, as barganhas dos partidos condicionando os apoios em troca de cargos e outras benesses mais. Essa prática além de ser antiética, provoca sem sombra de dúvidas o enfraquecimento do comando, uma vez que esse fatiamento de poder cria vários grupinhos, cada um procurando puxar a sardinha para o seu prato. Outro episódio degradante também vimos pela televisão, quando uma motorista na cidade do Rio de Janeiro, em aparente estado de embriagues, na contra de mão de direção entrou com o seu veículo e causou um susto tremendo em todos, inclusive atropelando uma senhora. Felizmente não houve maiores conseqüências. Mas, o problema não reside aí, uma vez que se o fato estivesse acontecido com um cidadão comum do povo, certo seria que o mesmo iria conhecer de perto o rigor da lei, ou, na pior das hipóteses teria sérios aborrecimentos pelo ato. Considerando que a dita cuja que dirigia o carro era nada mais nada menos que uma Procuradora da Justiça do Trabalho, ficou o dito pelo não dito, como se nada tivesse acontecido. É como diria o jornalista Boris Casoy, “isto é uma vergonha”. Ouvi por aí, porém, não sei se é fato ou boato, porém, como dizem, onde há fumaça, há fogo, a estória é a seguinte: “o Tiririca, deputado federal mais votado do Brasil, foi passar as festas de fim de ano em sua terra natal, em uma cidade do nordeste brasileiro, foi o maior sucesso. Acontece que o parlamentar foi acometido de uma crise de vesícula e, precisou de atendimento médico, o qual ocorreu no melhor estilo “mil e uma noites” para esse tipo de paciente ou, seja, acomodação em suíte do hospital, vários médicos e enfermeiras, ambulâncias e tudo o mais. Tudo por conta do suado dinheirinho de nossos impostos. Dizem que o deputado ficou muito assustado, pois já havia estado doente em outras ocasiões e, teve vezes que ficou o dia inteiro e até parte do outro dia para ser consultado, às vezes, nem chegava a ser atendido. Ocorre, que naquelas outras oportunidades, nobre deputado, o senhor  ainda fazia parte da turma dos pobres mortais comuns do povo.” Todavia, é bom lembrar que esses tratamentos diferenciados não levam em consideração que a saúde pública está completamente falida. E, quanto às avalanches e deslizamentos de terras, as quais estão colocando o país em luto pelas perdas de preciosas e inocentes vidas humanas. Pode-se dizer que esta precipitação da natureza seja qualificada como uma fatalidade, em parte pode ser, todavia, os resultados danosos são conseqüências de anos a fio de má administração pública. Haja vista que se autorizam indiscriminadamente construções e, a maioria delas certamente irregulares, em áreas de riscos iminentes, dando-nos a certeza absoluta de prantos futuros por perdas irreversíveis. Outrossim, temos consciência que a análise da situação não é tão simples assim, porém, é certo também que passa ano e vem ano e o problema continua sempre aumentando. Infelizmente, pelo andar inicial da carruagem, a descrença vai continuar também sempre aumentando. Não existem perspectivas para se pensar ao contrário.