Li com muita tristeza e pesar que existem aqui na nossa cidade 300 casos confirmados de dengue. Infelizmente, isto além dos malefícios causados pela própria doença, é um tremendo absurdo que a gente não consiga atenuar a permanência desta moléstia entre nós. Temos visto enormes campanhas por todos os meios de comunicação. Inclusive a varredura periódica de limpeza dos quintais e lotes baldios, feitas com auxílio do poder público, através de caminhões, com o slogan de “cidade limpa”. Todavia, é de se estranhar que por ocasião das varreduras, parece que as mesmas toneladas de lixo e impurezas que já foram anteriormente retiradas, são retiradas novamente dos quintais e lotes. Fato este que evidencia claramente que não está havendo colaboração por parte da população. Isto é, estamos espontaneamente facilitando aos famosos “aedes aegypti”, mosquito da dengue, uma acomodação propícia para sua manutenção e criadouro. Além disso, e para complicar ainda mais o quadro, temos sabido que existem muitas pessoas que vão jogar na calada da noite, os seus detritos as margens das rodovias e avenidas distantes, transferindo os seus incômodos problemas para toda a população. Sendo que o mais lógico e racional seria acomodar o lixo em sacos plásticos próprios e colocá-los a disposição para recolhimento. Á guisa de lembranças, já tivemos inúmeras experiências que para se obter resultados em alguma determinação, infelizmente, é necessário usarem meios mais severos e compulsórios. A exemplo do que aconteceu anos atrás com relação a necessidade de usar cintos de segurança pelos motoristas e capacetes pelos motociclistas. Sendo que quem fosse flagrado sem os equipamentos de proteção, recebiam multas altíssimas e demais penalidades legais. Antes dessa decisão enérgica, o uso era apenas solicitado através de campanhas educativas, as quais se mostraram ineficientes, devido à desobediência geral. E, por conta deste período de tolerância, quantas vidas perderam-se e quantos jovens paraplégicos se têm por desleixo e desobediência. Muitos até aqui podem estar perguntando, o que tem a ver a dengue com tudo isso. No nosso modesto ponto de vista, tem tudo a ver, considerando que até agora o que se tem feito em termos de prevenção não tem surtido os efeitos desejados. Sendo que convivemos com essa situação há muitos e muitos anos e, o pior de tudo é que sabemos como o mosquito transmissor nasce, cresce e se multiplica. Apenas estamos sendo incompetentes para combatê-lo, pela nossa inércia, preguiça e acima de tudo desleixo no nosso habitat. E, somente a título de ilustração, li dia deste no jornal A Folha de São Paulo, um comentário de um de seus jornalistas que disse: “não temos medo da gripe suína, pois se ela se atrever a vir para cá, a dengue acaba com ela”. Enfim, é a nossa preocupação, que cremos ser de todos os cidadãos do município. Considerando ser um problema de ordem pública, nada melhor do que colocá-lo para conhecimento dos legisladores municipais, para análise e posterior providências no campo legal. É certo que algo tem de ser feito nem que se tenha que tomar medidas antipáticas, pois acima de tudo está, com certeza, o bem estar comum de toda a população.