Capitanias hereditárias

Quando do Brasil colônia, o governo português de forma indiscriminada e sem nenhum critério, começou a premiar os lordes da corte com grandes extensões de terras no Brasil, com intuito de acelerar a ocupação portuguesa por estas bandas. Todavia, como tudo que começa errado, termina errado, não deu outra, os diplomas de concessão foram um verdadeiro fracasso, por vários motivos, tanto administrativo, como técnico e, principalmente por falta de competência. Nota-se que este critério de apadrinhamento político vem de longa data, pois nos atuais tempos, permanecem os mesmos hábitos, só que agora muito mais aperfeiçoados, requintados e, também muito mais institucionalizados. Estamos presenciando pela imprensa, a propalada reforma ministerial, onde se usa a mesma técnica do Brasil Colônia, ou seja, no sistema de Capitanias Hereditárias, vão-se dividindo os ministérios entre os partidos com mais força política, sem se importar, òbviamente, se o indicado tem ou não capacidade para ocupar o cargo, na maioria das vezes não tem, mas o que importa realmente é o status alcançado pelos caciques da política brasileira. Como todos sabemos pelos históricos do início das Capitanias, que começaram totalmente errado, aqui a história não muda, pois todos os mandatos presidenciais não apresentaram, até hoje, nenhuma inovação neste particular, apenas, temos as mesmas disputas de interesses estritamente pessoais, em detrimento aos anseios populares. Alguém já ouvir dizer ou mesmo ter visto pessoalmente, algum empresário colocar no comando de sua empresa privada algum administrador incompetente, só para atender pedido de padrinhos ou de quem quer que seja? Isto jamais vai acontecer, porque os empresários querem que suas empresas progridam, tenham lucros e cresçam, ao contrário do que ocorre na república dos tupiniquins, onde o dinheiro público não tem dono, porém, o controle pertence a poucos. Pelo visto, vamos continuar a mercê dos donatários, uma vez que a música vai ser a mesma. Neste ponto, me fica uma dúvida, ou somos péssimos dançarinos ou somos surdos e não entramos no ritmo da dança. Enfim, deixa pra lá, já faz cinco séculos que é assim. Para mudar, como já disse anteriormente, só com Assembléia Nacional Constituinte.