Avessos a mudanças

Estamos atravessando um processo de mudanças muito difícil, haja vista que quando acontece algum lance de alteração em qualquer tipo de situação anteriormente estável, já basta para haver a chiadeira geral daqueles supostamente prejudicados. Recentemente, tivemos aqui na cidade uma alteração radical no trânsito de veículos, algumas ruas sofreram mudanças de tráfego e, começou acontecer uma catástrofe, pois as batidas foram tantas que perdemos até a conta de quantas. Ouvimos muitas opiniões, das mais variadas possíveis, umas contra e outras a favor, porém, o certo é que geralmente as pessoas  não gostam de mudanças, pois elas (mudanças) parecem que sempre colocam em cheque a inteligência ou a segurança e isso nos expõe e nos faz parecer inferiores e, há de se convir de que ninguém gosta disso.  Voltando ao assunto do trânsito, é evidente também que  se bater o carro num cruzamento, alguém está completamente errado, pois obviamente o tráfego corrente estava liberado para um e broqueado para o outro. Daí, com certeza, houve falha de um dos condutores na atenção que precisava ser dispensada quando se dirige o que não deve ter ocorrido naquele exato momento, não obstante a força do hábito que também pode ter colaborado para ocorrência desse deslize. Mas, como sempre acontece  nestas ocasiões, aproveitamos à onda de insatisfação das mudanças e, vamos jogar a culpa toda nelas ou nos outros. Na verdade, seria muito melhor para a sociedade, se ao invés de se jogar culpa em terceiros fosse feito uma análise criteriosa sobre a situação, e se procurasse equacionar o problema com racionalidade, questionando o acontecido, com indagações maiúsculas e inteligentes. Independentemente dos erros ou dos acertos, agora, o mais viável seria cada um dentro de suas responsabilidades colaborarem para lapidação das mudanças, pois de uma coisa havia consenso absoluto de que o trânsito estava caótico e não atendia a demanda de veículos da cidade, nisso cremos que todos concordamos. E, diante deste quadro, considerando que somos realmente avessos a mudanças, qual é a nossa escolha, vamos retroagir ou progredir, queremos que nossa cidade caminhe rapidamente para ser uma grande cidade ou estamos satisfeitos com o mais ou menos? O certo é que para sermos grandes, os desafios também serão grandes e, ao invés de se chiar, se alterar e criticar, seria bem melhorar conversar, discutir os assuntos com clareza e determinação, assim agindo, seremos superiores,  e os frutos colhidos serão bem melhores para todos. E, viva o progresso.