Quimeras

Eu sei e a maioria de nós sabe que o passado serve para despertar as lembranças e em alguns casos para norteamento de algumas decisões ou condutas, mas,  existem lembranças que nos trazem muitas saudades e, às vezes ficamos matutando como seria bom se alguns momentos pudessem se repetir agora.  Mas, obviamente que não, contudo, é bom saber que a maioria dos que viveu em outras épocas, vêem hoje que a diferença de vida é da água para vinho, tão distante estão àqueles velhos costumes e momentos deliciosos que não voltam mais. Como dizem todos, os tempos mudaram, porém,  em muitas circunstâncias para melhor, ainda bem, pois em muitas outras coisas ficou terrivelmente pior. Todavia, é bom que se frize que antigamente a criação era bem diferente, havia mais respeito e mais dignidade entre as pessoas. E, é certo também, que muitos daqueles cidadãos do passado ajudaram com grande  esforço e amor na construção do mundo de hoje, só que infelizmente não tiveram forças, alheias as suas vontades,  para manter algumas coisas boas da época, particularmente no diz respeito a moral e a educação. Sabemos que as mudanças muitas das vezes ocorreram por motivos plenamente justificáveis, principalmente por necessidade de trabalho, quando as donas de casa precisaram sair para trabalhar fora do lar, para ajudar no sustento da família, acarretando com isso certo desequilíbrio na educação dos filhos. É necessário também destacar que tivemos outros fatores que colaboraram diretamente nas mudanças, sendo um deles a  aceleração dos meios de comunicação e, outro quesito muito importante foi  a sensível alteração nos currículos escolares, para pior é claro, principalmente no ensino de primeiro grau. Afora, tudo isso, lendo um comentário de um escritor sérvio de nome Dejan Trifunovic, consegui selecionar algumas colocações feitas por ele, apenas para ilustrar a beleza da vida de antigamente, como segue: “a) – a gente andava de bicicleta para lá e pra cá, sem capacete, joelheiras, caneleiras e cotuveleiras. Se machucava, é claro que sim, mas ninguém reclamava; b) – bebíamos água da torneira, de uma mangueira, ou de uma fonte e não águas minerais em garrafas ditas esterilizadas; d) – Íamos brincar na rua, com uma única condição, voltar para casa ao anoitecer. Não havia celulares. E nossos pais sabiam onde estávamos.  Incrível!; e) – Gessos, dentes partidos, joelhos ralados. E, alguém se queixava disso, claro que não; f) – Comíamos doces à vontade, pão com manteiga, bebidas com o perigoso açúcar. Não se falava em obesidade; g) – Nada de playstations, Nintendo 64, X boxes, jogos de vídeo, internet por satélite, videocassete, dolby surround, celular com câmera, computador, chats na internet. A gente só tinha amigos; h) – Na escola tinha bons e maus alunos. Uns passavam e outros eram reprovados. Ninguém ia por isso a um psicólogo ou psicoterapeuta. Não havia a moda dos superdotados, nem se falava em dislexia, problemas de concentração hiperatividade. Quem não passava, simplesmente repetia de ano e tentava de novo no ano seguinte.” Interessante como às colocações citadas,  nos transportou para uma infância  que apenas ficará guardada no baú das quimeras, como tempos bons que não voltam mais, porém, foram deliciosos. Acreditamos que o pessoal  contemporâneo pode achar que seria  uma verdadeira chatice ter vivido naquela época, mas a gente retruca dizendo do fundo do coração, como éramos felizes.