Que maravilha, que tristeza

Cremos que a maioria das pessoas que lêem jornais, vê noticiários na televisão ou, por outro lado, acionam a telinha mágica da internet, devem ter ficado boquiabertos com a notícia espantosa vinda do Japão. Onde em destaque informa que uma rodovia totalmente destruída pelo terremoto, foi recuperada em apenas seis dias, inclusive, mostrando fotos ilustrativas, do antes e depois da tragédia. Mesmo vendo as fotos não dá para acreditar, parece até um truque do velho mágico Mandrake.  É realmente de causar inveja e, dá até para soltar um grito de admiração acompanhado pela expressão “que maravilha”. Não sei se a maioria dos que ficaram sabendo, mediu a dimensão do ato, obviamente, considerando a situação catastrófica em que ficou reduzida parte daquele guerreiro país. Interessante que o Japão é um dos países do mundo que mais sofreu ação destruidora, quer aquelas provocadas pela própria natureza, pelos tsunamis e terremotos ou, mesmo aquelas provocadas por mentes inescrupulosas da humanidade, leia-se aqui, bombas atômicas. Mesmo assim, o Japão é como a fênix que ressurge, como se fosse um milagre, das cinzas. Só para ilustrar a grandeza do povo japonês, acredito que todos se lembram daquela história real quando do término da segunda guerra mundial onde o Japão foi totalmente destruído. Conta-se que ficou sumido nas florestas um soldado japonês pelo período de trinta anos e, quando foi encontrado ainda não sabia que a guerra havia terminado há muito tempo. O referido militar foi colocado em um avião para voltar para casa e, quando sobrevoava a cidade de Tóquio, vislumbrou lá do alto aquela maravilha totalmente recuperada e, perguntou perplexo a comissária de bordo: “você tem certeza de que o Japão perdeu a guerra?” Tal era o encantamento do resgatado que ele mesmo não acreditava naquela reabilitação urbana, haja vista que o país tinha sido totalmente dizimado. Por outro lado, em contra partida, ficamos apenas pensando se tais fatos ocorressem aqui no Brasil, porém, vamos nos ater somente sobre a recuperação da rodovia no espaço de tempo de seis dias. Supondo, primeiramente, se aqui fosse, teria que ser feito um relatório pelo pessoal da Defesa Civil, o qual considerando a emergência demoraria no mínimo uns trinta dias. Em seguida o referido relatório passaria para análise da comissão respectiva, aí então, seriam necessários mais uns trinta dias. Em seguida a dita cuja comissão emitiria um parecer, o qual seria enviado á Secretaria de Obras para homologação ou não, vamos considerar que mais uns quinze dias seriam necessários. Nesta etapa, se foi homologado, o parecer vai direto para o Setor de Licitação, vamos aqui exagerar e, considerar que o pessoal realmente quer rapidez, então no mínimo demoraria uns seis meses. Pronto tudo, isto é, licitação definida e homologada, encaminha-se para as empreiteiras. As quais em obediência ao cronograma de obras devem concluir os serviços no prazo estabelecido de doze meses. Isto não considerando nenhum imprevisto, ou seja, chuvas, falta de materiais ou indisponibilidade de verba. Pelas contas que fizemos a recuperação da referida rodovia, aqui no Brasil, estaria concluída em seiscentos e quarenta dias. Que tristeza. Agora se pergunta: Por que lá se faz a obra em seis dias e aqui demoraria seiscentos e quarenta dias? Tem alguma coisa errada ou não! Qualquer semelhança com fatos recentes é mera coincidência.