Ficticiamente, numa escola rural do interior paulista, em começo de ano, a professora para quebrar o gelo entre ela e os novos alunos, faz a seguinte pergunta, “Quem brilha mais, o sol ou a lua?” Caiu um enorme silêncio na sala, todos se entreolhavam, porém, todos continuavam mudos. De repente, lá no fundo da classe, meio tímido, um menino magrinho, de olhos espertos, levanta a mão querendo responder a indagação e a dúvida da professora e, diz num sussurro quase que imperceptível, professora, quem brilha mais é a lua. A professora, surpresa e muito curiosa fala para o menino, Huguinho, como pode a lua brilhar mais que o sol, sendo que ele é a maior estrela do planeta e com raios de luz infinitamente superiores que a lua! Então, o menino numa simplicidade cabocla, responde, a lua brilha de noite, com muitas dificuldades, porém, o sol brilha de dia, o que não deixa de ser mais fácil, porisso, eu acho que a lua brilha mais que o sol e, finalizou. E, agora José, como ficamos? Ficamos boquiabertos com a ótica do menino rural, que viu a singeleza, a ternura e a presteza da lua e, não viu o esplendor, o brilho e o poder absoluto do astro rei, o sol. É assim mesmo que somos, vemos na maioria das vezes totalmente o oposto do menino. Vemos sempre a ostentação, o brilho externo das pessoas, prevalecendo às aparências, geralmente são elas que falam mais alto, colocando em nós consciente ou inconscientemente atitudes preconceituosas, criando barreiras, onde poderia nascer e frutificar uma grande amizade. Quantos de nós não tivemos enormes decepções por ter preterido alguém usando desta conveniência costumeira de colocar sempre as aparências para escolher e, no decorrer de algum tempo sofremos grandes desilusões, por não ter percebido na época da escolha, que quem de fato brilha mais é a lua. Daí pode ter sido tarde, pois o carrossel da vida gira sempre para frente e, tem momentos que não voltam mais, já passou. Quantas vezes, numa primeira vista nos antipatizamos com alguém e, depois de muito tempo, circunstancialmente, voltamos a nos encontrar, começamos a conversar, surgindo daí um bom relacionamento, observamos então, que perdemos um tempo enorme, nos privando da companhia desta agradável pessoa, somente porque fomos pelas aparências e não pelo instinto do coração, onde armazenamos o que temos de melhor em nós.(amor, humildade, caridade). Assim, figurativamente devemos nos portar como se a lua realmente fosse mais luminosa que o sol, não nos deixando iludir pela luz fulgurante do brilhante, que muita das vezes pode ser falso e nos enganar. E, por falar em brilhos externos e aparências, me veio a mente um ditado antigo, que vem bem ilustrar esta passagem, que diz: “ por fora bela viola, por dentro, pão bolorento”. É isso aí.