Ponto de equilíbrio

Somos praticamente radicais, ou seja, estamos sempre nos extremos, ou somos tolerantes demais ou somos intransigentes em demasia, nunca nos postamos no meio termo, que seria o ideal em matéria de equilíbrio, para uma ponderação mais justa das questões em andamento. Senão vejamos, no lar, na educação dos filhos ou deixamos à vontade ou reprimimos sem nenhum critério, os resultados em ambos os casos, são completamente desastrosos. No trânsito, somos demasiadamente desobedientes e extremamente apressados, não respeitamos as regras e sempre estamos ultrapassando limites não permitidos ou somos lerdos, inconseqüentes e precipitamos, por conseguinte problemas semelhantes aos apressados. Na natureza, fazemos de tudo para acabar com ela, secamos os mananciais com aterramentos, ateamos fogo nas florestas, liquidando literalmente os pulmões do mundo. Enxovalhamos os rios com todo tipo de sujeira dos centros urbanos, matérias orgânicas apodrecidas e demais dejetos descartáveis. Emporcalhamos as cidades aonde vivemos, tornando-as verdadeiras lixeiras ao ar livre, entupindo os bueiros e sujando os muros e postes com propagandas a revelia dos interessados , por outro lado, e  o pior de tudo é  que convivemos tranquilamente com tudo isso e  nos incomodamos muito pouco ou quase nada, parece que estamos vivendo em nosso próprio habitat. Será? E, na vida real, vivemos assustados, temerosos, enriquecendo cada vez mais as empresas que fabricam materiais de segurança e proteção, fazemos casas com muros altíssimos, não conhecemos mais os nossos vizinhos, nos grandes centros as pessoas inocentes estão à mercê, ora dos bandidos,  ora da polícia, os dois estão matando indiscriminadamente e, pobre de nós. Por outro lado, o que estamos fazendo, absolutamente nada, apenas pagando os impostos e, aguardando a boa vontade das autoridades, que pelo visto está muito longe de acontecer. Resumindo estes são os extremos, não há ponto de equilíbrio e tudo se resume na desobediência de um único mandamento de Deus, que é “não matarás”. Porque, tudo que temos está sendo inexoravelmente morto, ou seja, a nossa dignidade está morta, não temos vontade própria para escolha de nossos governantes, somos manipulados pelo poder econômico. A nossa liberdade está morta, nos movimentamos supostamente livres, mas estamos à mercê dos bandidos e das balas perdidas, é uma liberdade assustada. Na natureza, grande parte dela está morta e a outra parte está fadada a morrer, pela ganância de alguns, pela ignorância e indiferença de muitos. Infelizmente, embora possa parecer cético, mas dificilmente o quadro vai mudar, a tendência é piorar, uma vez que os extremos nunca se encontram, pelo contrário, cada vez se distanciam mais e o ponto de equilíbrio se isola tanto que jamais poderá ser alcançado.