Preferências

Outro dia fiquei pensando, puxa vida, o Brasil vai sediar dentro de pouco tempo duas megas competições de nível internacional, que beleza, está se despontando no cenário mundial. Até aí tudo bem, uma vez que tais aberturas, com certeza, acarretam um cem números de benefícios e crescimento de vários setores do mercado, levando-se em conta que a movimentação será intensa, inclusive com muitos turistas. Todavia, já imaginaram o montante de dinheiro que será consumido para tornar o país habilitado a  receber todas essas atrações. Os organizadores e o poder público escondem essa informação, mas há de se considerar ser ela a mais importante, haja vista que sem os melhoramentos exigidos pelos comitês, os eventos não acontecerão. Considerando que sempre atrás destas preparações todas há sempre algo escondido, por exemplo, a movimentação financeira e, é aí que reside a nossa preocupação. Sobre o assunto já ouvimos e lemos de que haverá uma participação efetiva da iniciativa privada, porém, sabemos de antemão que no percurso dos acontecimentos acaba o poder público participando com a fatia maior. Na verdade, não somos contra tais investimentos, porque muitos deles vão diretamente favorecer a população como um todo. Sobremaneira àqueles de uso absolutamente necessário, tais como: metrô, aeroportos, rodovias, estacionamentos, hospitais e outros similares. Naturalmente sabemos que nestas ocasiões, principalmente nos locais onde vão acontecer os eventos, tudo vai funcionar como se fosse um relógio suíço. Imaginem só, até os bandidos dão uma trégua durante estes acontecimentos, parece até acordo de cavalheiros. A minha descrença e também a de milhares de brasileiros é a distinção que é feita, pois existem milhões de problemas a serem resolvidos e não o são, aliás, não se sabe se serão. É neste momento que entra a questão das preferências. Partindo daí é que ficamos com o coração partido, devido o desprezo geral de como é tratado o povo brasileiro. Vemos todos os dias pelos noticiários o abandono total das escolas de primeiro grau, falta tudo e em algumas delas até merenda escolar. Rodovias abandonadas, esburacadas, muitas com grandes trechos intransitáveis e sem policiamento. Nos hospitais faltam vagas, faltam médicos, faltam remédios nos ambulatórios. Inexiste um programa de saúde pública preventivo, tanto é verdade, que na maioria dos municípios brasileiros, o esgoto corre a céu aberto, provocando e proliferando toda sorte de doenças. Em conseqüência disso, há o congestionamento nos hospitais, principalmente de crianças e idosos. Nos grandes centros as favelas crescem assustadoramente.  E, paralelamente muitos habitam em abrigos ou fazem suas moradias permanentes em embaixo dos viadutos, devido ao déficit habitacional. É claro que devemos hospedar os grandes eventos, em hipótese alguma somos contra. No entanto, seria de todo coerente e humanitário e, acima de tudo mais racional que houvesse por parte das autoridades constituídas o mesmo interesse e entusiasmo que é dispensado a esses megas eventos, em contra partida, fosse dado o mesmo tratamento para as necessidades locais. Aí, certamente ocorreria um casamento perfeito, para felicidade geral da nação.