Sem a mínima pretensão me vi com um recorte de revista na mão, onde alguém, não citava o nome, por acaso contava um caso, ou podia bem ser uma lenda. Por simples curiosidade humana, comecei a ler o texto e me interessei por ele. O dito cujo narrava a façanha de um pai à beira da morte e, que queria muito que seu filho fosse alguém na vida, coisa que ele não conseguiu. Naturalmente, a questão ser alguém na vida é um ponto de vista muito subjetivo, haja vista que depende muito dos horizontes de cada um. Todavia, o texto contava a seguinte estória. O pai moribundo chamou o filho único a beira de seu leito e disse-lhe: filho ouça com atenção o que vou pedir-lhe, deixei um tesouro escondido para você, vai depender de ti para encontrá-lo. O velho já com gestos lentos tirou debaixo do travesseiro um pergaminho muito encardido e o entregou ao filho dizendo: este é o mapa do tesouro, encontre-o e, quando encontrá-lo serás o homem mais rico da terra. E, após isso o velho deu um sorriso de alegria e angelicamente expirou, sentindo que o seu final teve gosto de missão cumprida. Depois de todas as lamentações emocionais do momento, dias depois o filho abriu o pergaminho para analisar a trilha do tesouro herdado de seu velho. Ao abrir o mapa, deparou escrito com letras tremulas, porém legível a seguinte frase: “tesaurus cripses nikocrisides”. Ficou estupefato diante daquela frase, no mínimo esquisitíssima, porém, ela estava lá diante de seus olhos espantados. A partir daí começou a pesquisar, no começo timidamente, depois ansiosamente, pois a curiosidade se misturava também com a vontade de ficar rico e independente. Começou a freqüentar bibliotecas, sites na internet e, até se associou à pesquisadores famosos em busca da interpretação da frase. Começou a viajar e conhecer outros países, morou algum tempo na Europa, onde buscou nas maiores bibliotecas do mundo, nos museus mais conceituados da terra, resultados que pudessem esclarecer o enigma deixado pelo seu falecido pai. Depois de vários anos de pesquisas em busca do tesouro, fizeram-no uma pessoa muito culta, sendo chamado para conferências em várias partes do mundo, recebendo para isso pagamentos generosos. O rapazola pesquisador tornou-se uma celebridade mundial, tendo em vista o alto o grau de conhecimento adquirido sobre mais variados assuntos. Isto aconteceu como resultado dos vários anos de estudos e pesquisas feitas através dos anos para obter informações sobre a célebre frase herdada de seu pai. Como que por acaso a perseverança nos estudos e pesquisas em busca de um resultado inatingível, transformou aquele homem em uma pessoa de altíssimo nível intelectual, com certeza absoluta ele era “alguém na vida”. Agora no auge da glória e da plena satisfação, de repente pensou no seu pai lá no leito de morte, entregando-lhe o pergaminho como condição de achar o tesouro. Sem se aperceber, sentiu duas lágrimas rolando pela sua face e um sorriso maroto molhado pelas lágrimas e, intimamente agradeceu ao velho pai, pois o tesouro era nada mais, nada menos que os seus estudos e, isso ninguém poderia lhe tirar. Na verdade, o tesouro material nunca existiu, a frase era apenas uma pista para motivação de um bem maior, cujo resultado só depende da gente. Assim é que pela estória chega-se a conclusão que o estudo é o maior tesouro que um pai pode legar ao seu filho.