Nem tudo está perdido

Dia deste, ao passar os olhos pelos jornais locais, deparei com uma notícia realmente sensacional, no mínimo bem singular, dizia a manchete que um votuporanguense despretensiosamente havia se inscrito no Hospital de Base de Rio Preto, como voluntário para doação da medula óssea a qualquer paciente que necessitasse, o que realmente aconteceu.  Isto para mim foi o máximo, pois estamos vivendo tempos tenebrosos com relação ao nosso semelhante. Vivemos grandes crises, onde ninguém se preocupa com ninguém. Cada um para si e Deus somente para mim. Estamos vivendo o império do egoísmo e, de repente a gente lê e constata uma ação desta natureza. É realmente de se ficar estarrecido e ao mesmo tempo muito feliz, porque na verdade, existe ainda uma pequena chama no fim do túnel. O que podemos acreditar que nem tudo está perdido. De repente, nos vem entre sonhos e realidade o vislumbre que o ser humano está apenas em estado de letargia mental, na qual esqueceu completamente o significado do verdadeiro amor pela vida, pela natureza, pela convivência com as pessoas, pela alegria de termos condições de sentir que Deus nos ama verdadeiramente e, nos deu a graça de vivermos bem e em abundância. Vamos pegar o exemplo deste jovem que em um ato apenas sintetizou todo o amor que devemos disponibilizar aos nossos semelhantes, sem esperar recompensa, apenas dando algo de si para que o irmão seja ele quem for, branco, preto, amarelo, com religião ou sem, não importa, apenas querendo ajudar. Atitudes como essa é que nos aproxima cada vez mais da mensagem de Cristo, quando nos narrou a parábola do “bom samaritano”, que  ajudou tão somente, naquele momento, o enfermo era apenas uma pessoa precisando de ajuda, só isso, nada mais. Que gesto maravilhoso do jovem Maurício Munhoz nos encheu de orgulho, e nos fez repensar sobre as doações de órgãos, atitude que ainda não pensamos com muita clareza, estamos vendados pelo egoísmo e cercados por tabus de pura conveniência, para apenas esconder o nosso medo, nosso comodismo e, principalmente o nosso egoísmo. Quando vemos nos noticiários alguns casos de doações de órgãos, coisa rara, aliás, vemos a grande alegria de quem recebeu, tendo mais uma oportunidade de continuar vivendo e, por outro lado, embora com a tristeza da perda, a família do doador, também feliz em ver que por um gesto fraterno e muito humano, alguém continua vivendo devido a abnegação e o amor daqueles que sabem amar realmente. Obrigado Maurício Munhoz pelo exemplo de vida e de desprendimento, sei que você não queria nenhuma propaganda sobre o ato, me desculpe, mas não resisti e queria apenas te fazer uma singela homenagem, que Deus te proteja sempre.