Não precisava sinalizar

De repente não sei por que, principalmente para as pessoas de outras épocas passadas, onde a educação e o respeito era ponto alto das atitudes e dos procedimentos, saudosamente, está muito escasso. Até acho que quando uma pessoa é educada e respeitosa em público passa a ser alvo de curiosidades e comentários até às vezes desairosos. Haja vista que se por ventura você se levanta ao cumprimentar uma pessoa, você se torna diferente, pois não é mais costume fazer isto. E, se por pura educação num ambiente coletivo você cede o seu lugar a uma pessoa mais idosa, principalmente para mulheres, ou mesmo para um deficiente, infelizmente você se torna diferente também. Para ilustrar a narrativa, me lembro de que em certa ocasião, numa padaria, estavam algumas pessoas em fila aguardando a vez para ser atendida. De repente, empurrando todo mundo, usando inadequadamente a velha expressão “dá licença”, uma menina lindinha, por sinal, chegou até o balcão para comprar pão. Um senhor que se encontrava na fila, abordou a menina e disse: “querida, você já nasceu sem educação ou foi desenvolvendo este hábito no convívio da família, por favor, respeite as pessoas mais velhas e, vá para o final da fila”. A menina, que já tinha mais ou menos uns doze anos, saiu de fininho e foi ter com a mãe que a esperava do lado de fora do estabelecimento, cremos que elas foram embora, pois não as vimos mais. Imaginem só que vexame que as vezes temos que passar, quando o mais simples e lógico seria usar de urbanidade, cortesia e respeitar principalmente os dizeres de nosso pavilhão nacional, onde se destaca a frase imponente “Ordem e ´Progresso”. Considerando que se aumentaram as desigualdades de tratamento aos desiguais, leis foram criadas para restabelecer legalmente estas preferências para idosos, gestantes, mães com crianças no colo e deficientes físicos. Assim é que de uns quinze a vinte anos para cá, vamos encontrar nos lugares coletivos, placas indicativas visualizando estas preferências. Vemos isso nos bancos, nos supermercados, nos hospitais, nos ônibus e etc. Todavia, é certo que mesmo assim, vemos muitos espertinhos e espertinhas, tentando de alguma forma aproveitarem deste benefício sem estar devidamente enquadrado. Aliás, infelizmente, aqui ainda continua a prevalecer à lei do Gerson, ou seja, só se pensa em levar vantagem, principalmente em cima dos que não têm forças para se defender. Trocando em miúdos, acredito que nos falta um pouco de civilidade, porque uma atitude que se poderia ter naturalmente necessita-se de força legal para ser atendida, é o caso dos atendimentos preferenciais. Assim é que para esses atendimentos funcionarem não precisava sinalizar e nem legalizar só a nossa consciência bastava.