Prazerosamente fui um dos convidados para participar das homenagens a ilustres figuras que se destacaram em serviços para a Santa Casa de Votuporanga. Isto aconteceu na quinta-feira retrasada nas dependências do Centro de Convenções “Jornalista Nelson Camargo”. Na verdade foi um evento simples, porém, de uma magnitude excepcional, parabéns a todos. No entanto, o ponto alto da cerimônia ficou em destaque para a figura do médico convidado Dr. Antonio Carlos Lopes, que falou especificamente sobre a atividade do médico em si. O médico professor deixou bem claro em suas palavras que para ser médico antes de tudo o postulante deve gostar de gente. Uma vez que sem este quesito jamais será um bom médico. Assim é que para mim e, acredito que para todos os presentes ficou bem claro que não basta o médico ser o “papa” no assunto é preciso também que ele seja amigo do doente. Pois, segundo a psicologia, o carinho, a preocupação e, acima de tudo a atenção, são elementos emocionais de grande valia para o êxito de recuperação da saúde. Uma vez que não custa nada a todo o pessoal envolvido no sistema, médicos, enfermeiras, atendentes, porteiros, faxineiros, mostrar nem que for apenas um sorriso. O médico precisa ter a consciência de que ele é um instrumento de Deus. Tanto é verdade que os milagres acontecem e, com certeza quase que absoluta, por conveniência do próprio Deus, eles sempre acontecem através do médico. Mediante, tudo isso, não resta a menor dúvida ao doente em depositar toda confiança e, principalmente suas esperanças de vida, nas mãos do médico. Numa divagação natural passou-me pela cabeça que existem mil situações de precariedade a que estamos sujeitos no decorrer de nossa existência. Como exemplo, enumeraremos algumas delas mais comuns no dia a dia, a saber: Perde-se o emprego, por necessidade e iniciativa própria, corre-se atrás e arruma-se outro, melhor ou pior. Perde-se uma amizade, arruma-se outra. Perde-se uma partida, se ganha outra. Enfim, a vida é uma constante luta de perde-se e se ganha, onde sempre somos o gladiador, depende de nós, de nosso desempenho, de nossa luta. Outrossim, quando o assunto refere-se ao bem estar, especificamente a saúde, torna-nos impotentes para solucionar o problema, haja vista que a solução não depende de nós. Nestas condições precárias ficamos literalmente nas mãos do médico, tanto física como psicológica. São nestas circunstâncias que o papel do doutor se reveste de uma importância vital, pois é ele o dono absoluto daquele corpo fragmentado e dependente. Portanto, é sumamente importante que o médico aproveite o máximo possível essa doação forçada do paciente para convertê-la em benefício do próprio doente, dispensando a ele todo o carinho que a situação solicita. É oportuno frisar que tais atitudes são também extensivas a todos os profissionais componentes do processo corporativo. Tudo isso não é uma simples utopia, uma vez que, além, dos préstimos profissionais, não custa nada dispensar cuidados fraternos àqueles que se encontram doentes, principalmente para os mais humildes. Por outro lado, o que nos encheu de alegria e satisfação naquela noite de festa, foram os discursos proferidos que tiveram a mesma entonação, ou seja, a filantropia e os doentes, são os alvos principais de nossa querida Santa Casa. Uma vez que, fazer o bem para quem tem, não é novidade nenhuma, o importante é fazer o bem para quem não tem. É no segundo gesto que está o segredo da felicidade. Aliás, não custa nada.