Incômodos

Se formos enumerar vamos achar uma lista infinita de coisas que incomodam direta ou indiretamente a todos nós. Ou melhor,  vamos também observar que de certa forma somos incômodo para alguém ou vice-versa.  Todavia, não é essa a questão, vamos falar dos incômodos que nos aborrecem, aqueles que podem na maioria das vezes serem sanados e não o são. Na cidade, não se precisa andar muito para notarem-se os incômodos visíveis que perturbam. São as calçadas mal conservadas e muitas delas construídas recentemente sem nenhum empecilho do poder público. São os broqueamentos das próprias calçadas por entulhos, materiais de construção, tapumes muito avançados. São os estacionamentos irregulares de veículos nos passeios públicos, dificultando sobremodo o trânsito dos pedestres. São as distribuições desordenadas de panfletos comerciais, os quais enxovalham as vias públicas, trazendo muito desconforto e sujeira para o ambiente. São toldos de lojas, muita das vezes amarrados com cordões nas guias. São as goteiras caídas dos ares-condicionados dos pontos de comércios que incomodam as pessoas nas calçadas.    São os cortes desordenados de árvores, provocando a sensação de estarmos vivendo em pleno depósito de lixo, devido a demora no recolhimento dos entulhos. São as mesinhas dos bares e lanchonetes, distribuídas ao longo das calçadas, jogando propositadamente os transeuntes para o leito da rua,  sujeitando-se a perigos de atropelamentos. São as motos que trafegam livremente pelas ruas, sem nenhum cuidado e não obedecem as leis de trânsito. São as bicicletas, sem identificação, que andam muito mais  em cima das calçadas, provocando perigo de atropelamento, principalmente aos idosos.   São os carros que estacionam de qualquer maneira, sem observar os espaços que lhes são reservados. São os serviços de alto-falantes  individuais de lojas comerciais que também não obedecem aos limites permitidos de decibéis e provocam verdadeiras guerras de ofertas de seus produtos. São os veículos ambulantes, com os seus sons estridentes e, sem horário para sua utilização. São os motoristas, com seus carros turbinados, desfilando com  potentes sons pelas ruas em qualquer horário e lugar.  E, finalizando, quero aproveitar notícia veiculada nos jornais locais sobre os tapumes da ex-instalação da loja Ponto Frio, localizada no coração da cidade, realmente está um lixo aquele visual. Além de dificultar o trânsito das pessoas, pela diminuição do espaço da calçada,  é inadmissível a permanência daquela situação. É certo que tal quadro denigre sobremaneira a imagem  de uma cidade que quer ser líder de região, uma vez que, convenhamos ser a paisagem um péssimo cartão postal. Diante de tudo isso, é de se lastimar a nossa condição de incoerência, pois num passado não muito distante, usando todas as armas possíveis,  fizemos calar os carrilhões da Matriz. Alegando que o mesmo perturbava o nosso descanso noturno. Então, por que não usamos da mesma disposição daquela época para pressionar os responsáveis, de tais desconfortos? Durma-se, portanto, angelicamente com uma situação desta. É como querer tapar o sol com a peneira.