Inconformismo inútil

Converso com um, converso com outro, leio artigo sobre o assunto, vejo reportagens de pessoas chorando, inconformadas e até chegando às raias do desespero, pelo fato de estar ficando velhas e tendo que deixar os seus lugares para outras pessoas mais novas. Olhando por outro ângulo, cremos que as pessoas possuidoras que deste comportamento, estão irreversivelmente erradas, pois pelo contrário,  deviam antes de tudo agradecer a Deus pela  possibilidade que estão tendo em ficar  velhas, pois existem milhares e milhares de pessoas que não ficam, vão embora mais cedo. E, se  perguntarmos aos inconformados se querem morrer, a maioria absoluta vai dizer que não, no entanto, quer o impossível, permanecer jovem eternamente e, isso jamais irá acontecer. A propósito, lembro-me bem que  há uns dez anos atrás, um vizinho idoso nonagenário sempre dizia, “sei que já passei muito do tempo de ir para o outro lado, mas se Deus me deixasse mais um pouquinho, bem que gostaria de ficar”, para mim, marcou muito aquela vontade de viver, apesar da avançada idade, o ancião mostrava muita garra e de certa forma contagiava a todos e, já faz anos que ele se foi, porém acredito que muito agradecido pela sua longa  permanência entre nós. É tão evidente a vontade de ficarmos aqui neste mundo, que gostaria de destacar uma colocação imortal do saudoso político Ulisses Guimarães, que dizia “quando eu morrer e meu corpo estiver sendo levado para o Campo Santo, acredite que ali vai indo uma pessoa contrariada”. Deduzindo tudo isso o melhor é saudarmos a vida, inclusive agradecendo a aposentadoria e a velhice, estamos vivo, somos vencedores, por enquanto, brindemos a isso e não ao contrário, como muitos fazem. Quantas vezes vemos notícias sobre despedidas de atletas inconformados com o fim, vendo outra safra de atletas mais novos vindo para substituí-los. Muitos não sabem administrar isto e,  caem  em total desespero, se deixam levar pelas bebidas, pelas drogas, precipitando para si um fim trágico. Não souberam reconhecer que os anos passam e nós também, esquecendo-se  que as lamentações só servem para ampliar o baixo astral e alimentar ferozmente o inconformismo. Quantos aposentados acabaram  perecendo, pois se deixaram cair numa rotina que os levaram, com se fossem animais conduzidos ao matadouro, para uma depressão muito profunda, na maioria das vezes sem retorno. São óticas diferentes de ver a vida, mesmo sabendo que os sacrifícios para o embelezamento pessoal, no caso dos regimes agudos e também nos excessos feitos através de cirurgias plásticas, na ilusão de uma juventude perpétua, envelhecem precocemente, tornando-se verdadeiras múmias ambulantes e, não percebem o mal que estão causando a si próprias. Não conseguem enxergar que é uma disputa desigual, pois a natureza é implacável e, quanto mais se processa medidas artificiais para camuflar as aparências, mais o corpo padece e se expõem as doenças e mutilações, provenientes das infrutíferas tentativas em manter uma juventude falsa e às vezes distante. O ideal é dar um basta na tristeza e ver o mundo como realmente ele é, ou seja, lindo, maravilhoso, colocado a nossa disposição com todas as maravilhas que a natureza nos oferece, e agradecer ao Criador pela nossa vida, sem que isso possa significar que devemos simplesmente nos acomodar com as coisas, muito pelo contrário, devemos viver a realidade, nada de subterfúgios mesquinhos para camuflar idade, pois com essa atitude estaremos enganando o ser  mais importante de todo o processo que é a gente mesmo,  senão, fatalmente, iremos nos ver, de repente, em labirintos inexplicáveis de depressão. O importante de tudo isso é que vivamos bem e envelheçamos com dignidade, só isto já basta e, o resto é resto mesmo, xô depressão. Um beijão e  um abraço a todos os idosos e aposentados deste querido Brasil, inclusive a mim.