Fechado para balanço

A expressão acima reflete que é preciso dar um tempo para se coordenar as coisas, inclusive às pessoas. Normalmente a oportunidade se oferece no final de cada exercício, onde podemos somar os resultados, tantos os negativos quanto os positivos. Quando se compara os débitos e os créditos, obviamente esperamos que o crédito supere o débito, caso contrário, as reflexões serão maiores na busca das falhas e dos erros. É, portanto, necessário fechar as portas no sentido amplo de refletir e analisar toda a caminhada feita durante este ano que está prestes a se findar. Quantas pessoas que começaram com entusiasmo o ano e agora neste momento já não se encontram mais conosco. Quantas amizades foram desatadas, na maioria das vezes por motivos fúteis. Quantos ressentimentos acumulados e, que nos proporcionaram tristezas infindas, com conseqüentes sofrimentos desnecessários, os quais nos envelheceram precocemente por conta destas preocupações. Quantos leitos de hospitais abrigaram seres desiludidos com doenças impiedosas e incuráveis. Quantos filhos que partiram deixando para trás corações de mães despedaçados. Quantas e quantas vezes sentimos que este ano não ia acabar nunca. Quantas noites de insônias provocadas por “grilos” inconseqüentes que povoaram nossas mentes. Quantas oportunidades perdidas pela ausência de coragem ou mesmo de boa vontade. Quantos e quantos erros, velhos conhecidos nossos, que prometemos corrigir e não o fizemos novamente. Quantas visitas nossas que deixamos de fazer e, agora já é tarde demais. Quantas palavras carinhosas omitimos, sem razão de ser, privando o nosso próximo de um consolo necessário. Quantas derrotas angariamos em razão de não acreditar na vitória, por covardia ou omissão. Quantas ausências praticamos, devido a falsas preferências. Enfim, é um rosário de momentos, os quais teremos condições de analisá-los somente se fecharmos a porta para um balanço consciente e comprometedor. Na verdade o balanço é uma decisão impar, pois, vai nos proporcionar a oportunidade de nos desnudar perante nós mesmos, fazendo uma reflexão honesta de nossos atos. É preciso ter coragem e hombridade para proceder ao reconhecimento de todas as falhas. Verdadeiramente, na retrospectiva de nossa vida o filme deve ter uma fidelidade impecável, buscar sem medo, a petulância, a arrogância, o preconceito, a inveja e, principalmente a falta de amor. È preciso pegar individualmente cada um desses malignos sentimentos e, encará-los de frente, exorcizá-los de dentro de nós. E, após esta purificação se apresentar pronto para iniciar o novo ano, cheio de esperanças e, com o propósito de ser um novo homem, um novo ser, para si e, principalmente para os outros. No entanto, não podemos nos esquecer jamais que Deus na sua infinita bondade nos deu o livre arbítrio e a racionalidade, portanto, somos capazes de tudo, principalmente de discernir o que é bom e o que é ruim. Depois, diante desta constatação, a conversão de nossa vida depende única e exclusivamente de nós, no estabelecimento consciente das metas, levando sempre em consideração as nossas limitações. Na maioria das vezes, damos com os “burros n’água” porque não consideramos que somos limitados, sempre queremos dar o passo maior que as próprias pernas. Enfim, bom balanço para todos. São os votos.