Fidelidade

Numa noite desta tranqüila do horário de verão, estava eu assistindo a um filme de ação, cujo mocinho era nada mais nada menos do que famoso Harrison Ford.  A estória era sobre as tramas políticas dos bastidores americanos, onde o nosso artista fazia o papel de consultor do Presidente. De repente, o noticiário estampa em suas primeiras páginas a prisão de grupo terrorista, cujo um dos membros era um antigo colega de juventude do presidente. O dito cujo colega, havia se tornado marginal e fazia parte de uma quadrilha de possíveis terroristas. Diante deste “grave” problema, reuniram-se todos os auxiliares próximos do presidente para discutir o assunto, pois temiam que a imprensa explorasse de maneira prejudicial este passado e, colocasse o mandatário da nação em situação complicada. Na reunião todos começaram a opinar como o presidente deveria agir diante do questionamento dos jornalistas sobre a sua antiga amizade com aquele marginal. As opiniões e sugestões convergiam todas para que o presidente quando abordado sobre o assunto, dissesse que o seu relacionamento quando jovem com o suposto colega era bem distante e por sinal não tinha muita amizade com o citado e, procurasse logo mudar de assunto. Então o presidente satisfeito com o resultado da reunião, já pedindo para os assessores mais diretos que preparassem uma pauta dando as coordenadas como deveria falar para a imprensa e a satisfação que deveria dar ao povo. Porém, antes do término da reunião percebeu que um de seus auxiliares não tinha opinado e, achava muito importante a sua posição, perguntou-lhe: e você fulano, acha que está certo o que foi decidido? O assessor (Harrison Ford), respondeu: Presidente, eu acho que esta mentira apenas vai camuflar superficialmente uma situação a qual Vossa Excelência não conseguirá carregar por muito tempo e quando for abordado novamente vai ter que se desvencilhar mais uma vez e terá que continuar contando outras inverdades, que possivelmente não terá fim. Então, o que você sugere que eu fale, indagou o presidente. O assessor, falou: quando o senhor for interpelado sobre o assunto deve dizer a verdade, ou seja, “realmente nós fomos colegas na juventude e, por sinal tínhamos uma boa amizade e, naquele tempo ele era uma boa pessoa e um grande colega. Portanto, eu sinto muito que ele tenha se enveredado para o mau caminho e, espero sinceramente que ele seja feliz e encontre a paz”. Diante desta colocação a sala ficou por uns instantes num silêncio total, quebrado pelo presidente que agradeceu a todos pela reunião, mas não disse qual posição tomaria. E, na sua primeira aparição pública, a voz da consciência fez com que o presidente ao ser indagado sobre sua amizade com o colega marginal, dissesse justamente aquilo que o seu assessor recomendara, ou seja, falou que ele era na época o seu melhor amigo. A resposta deixou a todos os jornalistas sem ação e, o assunto foi dado por encerrado sem maiores comentários. O que, afinal de contas podemos tirar como aprendizado desta estória?  Fica claro e evidente que devemos sempre prestigiar o lado bom da vida, pois é ele que nos alavanca para um futuro feliz e sem sombras. E, não devemos nos esquecer que na trajetória de nossa existência sempre somos ladeados por pessoas que de uma maneira ou de outra nos fez e nos faz bem e ajuda-nos a crescer. Basta viajar ao passado para lembrar de muitas pessoas que foram para nós, ás vezes, apenas uma amizade, mas, com certeza,  fizeram parte de nossas vidas. Infelizmente, muitos ignoram, principalmente, daqueles que não tiveram sorte ou oportunidades. Mas, é bom a gente nunca esquecer que a vida é uma roda gigante, ora você está em cima, ora você está em baixo.