Pequim 2008, grandes preparativos, emoção a flor da pele, sonhos de grandes conquistas, medalhas ao peito, hino nacional na ponta da língua e do coração, bandeira tremulando no mastro, enfim o suor dos campeões derramando merecidamente, aplausos à distância de uma nação orgulhosa de seus representantes, era para ser tudo isso, nas modalidades que tínhamos condições. Porém, como se fosse num passe de mágica aconteceu o inesperado, a maioria das promessas não foi cumprida e veio tudo por água abaixo num mar de lágrimas que atravessaram continentes, todavia, não adiantou chorar, pois leite derramado, jamais será aproveitado. Tomamos um chocolate dos argentinos no futebol, e ao Dunga com sua turma, só restou à canção dos sete anões “eu vou, eu vou, pra casa agora eu vou”. Quanto as meninas do futebol, faltou pouco para a tão sonhada medalha de ouro, não ganharam devido ao desarranjo emocional que as sufocou e as imobilizou diante das americanas. E, a atleta do salto com vara, Fabiana Murer, aconteceu o inusitado, coisa jamais vista em qualquer tipo de competição, perdeu ou esqueceu a vara na vila Olímpica, naquele momento jogou-se fora o esforço de anos de treinamento e, até agora ninguém sabe de quem foi a culpa. Quanto à equipe de judô, cheia de estrelas, principalmente o João Derli e, nenhuma brilhou a exceção de uma meninha desconhecida lá da periferia de Brasília que conseguiu a duras penas conquistar uma medalha de bronze para não deixar toda equipe completamente decepcionada. E, o grande Jardel Gregório, conseguiu na sua impávida galhardia um decepcionante sexto lugar no salto tripo, que tristeza. E os meninos de ouro do vôlei de quadra, liderados por Bernardinho, viram desmoronar os sonhos diante dos gigantes americanos, embora a medalha de prata não tenha sido um mal resultado, mas assim mesmo ficou um gostinho amargo de decepção. O mais decepcionante foi a atuação dos ginastas, tendo como estrela máxima o Diego Hipólito, vimos atuações quase perfeitas, porém, ruíram diante da falta absoluta de equilíbrio emocional, faltou um trabalho psicológico que os sustentassem diante de tanta pressão e responsabilidade, infelizmente não deu. Como nem tudo é tristeza, graças a Deus, teve os salvadores da pátria, César Cielo Filho, Maureen Magi e a equipe de vôlei feminina. César Cielo Filho, que com muito sacrifício e à custa financeira dos pais passou três anos nos Estados Unidos, treinando com disciplina militar, pois estava devidamente proibido de gozar dos prazeres naturais dos jovens de sua idade e toda essa privação deu-lhe o honroso direito de colocar no peito a sonhada medalha de ouro dos cem metros rasos da natação. E, a nossa querida Maureen Magi, que não obstante a todos os obstáculos principalmente um revés de doping que a privou das pistas por longos dois anos, deu a volta por cima e conseguiu brilhar como nunca em solo chinês. Quanto às meninas do vôlei de quadra comandadas pelo brilhante, modesto e principalmente qualificado técnico José Roberto Guimarães, conseguiram mostrar garra, técnica e acima de tudo espírito coletivo e esportivo, que as levaram ao primeiro lugar do pódio da glória e da posteridade. De fato, aconteceu tudo de ruim nesta olimpíada de Pequim, os horários dos jogos só os parentes próximos dos atletas e alguns fanáticos que presenciaram ao vivo as competições e, quanto ao rendimento da Delegação Brasileira houve um sensível declínio com relação a outras participações anteriores, devemos considerar que foi a pior participação de todos os tempos. Disso tudo deve ter sobrado várias lições, portanto, fica reservado aos senhores organizadores tempo suficiente para estudos, análises e decisões de como conduzir o esporte nacional, de forma que não façam mais vexames como o de agora. Ah, ia me esquecendo de um pequeno detalhe, esqueçam essa idéia absurda de sediar Olimpíada no país, o Brasil tem prioridades mais sérias com que se preocupar.