Ficar velho é um “saco”

Interessante que deveria ser bem diferente a afirmação acima, uma vez que mesmo sendo judiado e injustiçado, ninguém nem moço e nem velho quer morrer, fazem de tudo para continuar mais um pouquinho por aqui.  Inclusive quando se indaga a uma pessoa que ela está ficando velha, ela responde garbosamente, que tem muita gente que não chega ficar, morre cedo. Daí supõe-se que a maioria absoluta dos seres humanos, por mais difícil que for viver ninguém quer morrer. Um dia, não lembro quando um padre perguntou em uma missa cheiinha de fiéis, quem queria ir para o céu, todos indistintamente levantaram a mão, aí o padre falou, agora, rapidinho abaixaram a mão, todos querem ir para o céu, porém, poucos fazem jus para merecê-lo. Considerando essas colocações, naturalmente é unanimidade que todos queremos viver, todavia, há algumas restrições, pois seria muito bom que essa permanência terrena fosse, não precisaria ser abastada, pelo menos remediada, infelizmente a maioria das pessoas vive em situações precárias e, além disso,   vivem cercadas de injustiça e abandono. Deixando de lado as demais pessoas que também sofrem, destacamos o papel ridículo que faz o idoso na sociedade,  por isso, é que quando se começa a ficar velho é o início de um verdadeiro calvário. Temos como modelo já a natural condição da velhice que é na maioria das vezes vista como descartável, e as próprias pessoas idosas aceitam naturalmente esta condição, pois já não encontram forças para lutar e exigir o direito de seu espaço, muitas das vezes conquistado com  lutas e sacrifícios e, é usurpado sem nenhuma cerimônia. Para confirmar isso basta observar o atendimento nos hospitais, postos de saúde, nos transportes, nas próprias casas, nas repartições públicas e, por aí vai uma fila infinita de insistentes pedidos para fazer valer um direito seu que se transforma comodamente em pedir favor daquilo que lhe é devido, senão por lei, pelo menos pela sua condição de idoso, que deveria merecer todo o respeito e admiração. Interessante também é a inversão de valores que se pratica com os idosos, quando pretende fazer um seguro de vida, não pode por causa da idade e, se já tem um seguro, eles aumentam o valor das prestações e diminuem o valor da indenização, é  mole ou quer saber mais. Se quiser, temos o exemplo dos convênios, totalmente inviáveis para as condições econômicas do idoso, por  outro lado, para os jovens os valores são bem menores, o segredo está na utilização, ou seja, os idosos vão utilizar o sistema muito mais e os jovens muito menos. Convenhamos que quem só ganha com isso seja as empresas exploradoras do sistema e, a perda maior fica para o mais fraco, ou seja, o idoso. Por outro lado, deveria ser ao contrário, ou seja, a carga maior de todos esses benefícios, a  classe ativa deveria ficar com um ônus maior, propiciando com isso condição de vida melhor aos idosos. Afinal, o jovem de hoje será o idoso de amanhã  e, aí como fica? Recentemente, saiu uma estatística informativa, que existem milhares e milhares de famílias que vivem da aposentadoria de seus idosos, em contra partida como agradecimento os tratam como se fossem estranhos, jogados e abandonados, sem usufruir dos seus próprios ganhos. Na verdade, em vez de aceitarmos com serenidade o fato de que as pessoas idosas adotaram um ritmo mais lento com o passar dos anos, simplesmente ficamos irritados por eles não acompanharem a nossa “esperteza”. É,  por isso tudo, que ficar velho é um “saco”.