Extremos opostos

Interessante como certos desequilíbrios da vida são por vezes desconcertantes e, fazem à gente meditar como o ser humano é severamente perverso com o próprio semelhante. Isto posto, semana que passou, no noticiário televisivo numa reportagem, em dias diferentes, comentou-se duas ocorrências de proporções distintas, com resultados quase semelhantes. Todavia, considerando os fatos, devido aos resultados finais, ficamos pasmos com o tipo de justiça que se é praticada no Brasil. Haja vista que a situação que causou maior impacto destrutivo, não teve nenhuma penalidade punitiva, ao passo que a outra lhe foi oferecida o cumprimento das regras legais.  No primeiro episódio, noticiou-se que um cidadão, de nome Paulo, casado com Sonia, grávida de quatro meses, sem emprego há dois meses. Sem ter o que comer em casa, foi até o rio distante 5 km de casa, tentar pescar uma “misturinha” para juntar ao arroz e feijão. Pegou 900gr de lambari e, sem saber que era proibido a pesca. Foi detido, por dois dias. Um amigo pagou a fiança, porém, restou ainda a Paulo pagar uma multa ao IBAMA, além do débito da fiança ao amigo. Ficou mais enrascado e endividado.  A sua mulher grávida, ficou nervosa com o sumiço do marido, passou mal e foi levada ao hospital onde teve um aborto espontâneo. Paulo ao chegar em casa recebe a notícia de que sua esposa estava no hospital. E, se desencantou com a vida ao saber que perdera o filho, devido aos míseros peixes que ficaram apodrecendo no lixo de uma delegacia. A indagação que fica é: quem vai devolver o filho do casal e, também a dignidade de Paulo por ter sido preso quando tentava alimentar a família! No segundo episódio, noticiou-se que o Presidente da Petrobrás, foi responsável pelo derramamento de 1 milhão e 300 mil litros de óleo na Bahia da Guanabara matando milhares de peixes e pássaros marinhos.  Foi responsável também pelo derramamento de 4 milhões de litros de óleo no Rio Iguaçu, destruindo a flora e fauna e comprometendo o abastecimento de água de várias cidades da região. Crime contra a natureza, inafiançável. Sabe-se que o distinto cidadão, não foi preso nenhum dia e não sofreu nenhum tipo de ingerência por parte do Ibama. Pode ser visto jantando nos melhores restaurantes do Rio e de Brasília. Infelizmente, os critérios são diferentes, pois existem no julgamento dos fatos, dois pesos e duas medidas, obviamente desfavorecendo sempre o menos qualificado. O que nos aborrece de fato é que em qualquer julgamento que se faça, principalmente na sociedade, não se julga a ocorrência dos fatos, julga-se primeiramente quem fez e quem é. Para as pessoas comuns, só resta o rigor da lei. Ocasionalmente me lembrei de um dito popular, que era o lema de um velho político, cujo nome me falha a memória, o qual sempre dizia: “Para os amigos tudo, para os inimigos a lei”.