É uma velha expressão, da qual todos conhecem e, que quer dizer “passar para frente”, em outras palavras, geralmente, é um assunto que não se quer resolver. Na verdade, tal atitude é própria das pessoas que querem transferir responsabilidades, ou seja, dividir os possíveis ônus de coisas com definições complicadas. Antigamente me lembro muito bem que se dizia que quando não se queria resolver um problema, marcava-se uma reunião com mais pessoas. Com certeza, o problema não iria ser resolvido, na pior das hipóteses, o mesmo ficaria se arrastando até se perder o interesse. Aliás, era uma prática bem comum, haja vista, que os resultados alcançados favoreciam a todos os interessados na enrolação da questão. Digo isso, considerando, que temos observado com uma constante freqüência que ultimamente tem sido prática do Legislativo local usar este expediente, ou seja, qualquer problema mais grave e que possa ter uma repercussão maior é prontamente jogado para discussão em “fórum popular”. E, por falar nestas reuniões para discussão de problemas locais, o interesse da população tem sido o mínimo possível. Muitas das vezes se é discutido problemas com a presença de meia dúzia de gatos pingados, os quais, não fazem quorum, tanto pela quantidade como também pela representatividade. E, isso vem de encontro com a nossa colocação, de que o problema sempre vai sendo empurrado com a barriga, ou seja, as soluções ficam cada vez mais distantes e, na maioria dos casos sempre a população sai perdendo. E, por falar nisso, estamos lendo nos jornais locais que o Legislativo tem que decidir sobre o número ideal de edis que a Câmara local deve ter para a próxima legislatura. Pelo visto, a referida questão deve também ser sabatinada em reunião popular, pois já ouvimos manifestação a respeito. Com certeza, se isso ocorrer é certo que se terá o mesmo destino das demais reuniões passadas, sem nenhum resultado consistente que se possa servir de parâmetro para decisão dos legisladores. Sabe-se que o nosso país é regido pelo regime presidencialista e, neste contexto constitucional todos os eleitos passam a ser diretamente designados como representantes do povo através do voto que lhes outorga no ato uma delegação de representatividade. Assim é que nos municípios os vereadores são os mais legítimos representantes locais do povo, portanto, nada mais justo de que eles diante de questões polêmicas procurem suas bases, discutam o problema e definam os resultados. Depois sim munidos desta sustentação representativa de seu eleitorado, possam tomar posições firmes e consistentes, respaldadas pelos anseios populares. Portanto, o legislador investido das atribuições que a Constituição lhes confere, jamais pode legislar pensando se vai agradar ou não, sua preocupação maior deve ser antes de tudo o bem estar coletivo. Assim, empurrar com a barriga, jamais.