Dois ouvidos e uma boca

Porque será que temos dois ouvidos e uma boca! Na verdade, esteticamente, no corpo humano tal disposição ficou muito bem harmonizada. Penso que se fosse ao contrário, a imagem da pessoa deixaria muito a desejar e, ficaria uma figura simplesmente dantesca. E, quanto ao barulho existente no mundo, que por sinal já é muito para os nossos ouvidos, seria pior ainda. Imaginem só a gente com duas bocas disponíveis para falar a vontade, e tudo ao mesmo tempo. Obviamente é uma comparação bisonha a que estamos fazendo, pois, a colocação serve apenas para demonstrar que a sabedoria divina é muito sublime. Pois, além de nos moldar esteticamente apresentáveis, nos possibilitam ainda, nas entrelinhas, condições de um comportamento adequado sobre os aparelhos de que dispomos. Outrossim, na verdade, seria para nós de fácil compreensão usar mais a escuta do que a palavra, com certeza, o aproveitamento seria bem maior. Por outro lado, como conseqüência, em assim agindo, fatalmente nos envolveríamos menos em contradições e, menos também em situações constrangedoras. Uma vez que é de conhecimento geral que aprende mais quem ouve mais, ao contrário de quem fala mais, é certo, de que erra mais. Já disse em outras ocasiões que os antigos tinham o costume de dizer assim: “quem fala muito, corre o sério risco de dar bom dia a cavalo”. Ou seja, você pode se tornar uma pessoa inconveniente, haja vista, que a sua inoportunidade passa a ser marca registrada de pessoa desagradável. Convenhamos que essa rotulação depois de credenciar uma pessoa, dificilmente conseguirá ela se desvencilhar desta fama. Pois, com diz o velho ditado popular “quem tem fama de levantar tarde, pode até um dia levantar de madrugada, que ninguém nem notará”. Outro dia estava eu com alguns amigos e, de repente vinha chegando uma determinada pessoa, daí um dos amigos disse: “vamos embora porque o poça d’água está chegando”. Fiquei intrigado e, quis saber por que o distinto intruso não era bem vindo no grupo. Daí, um dos amigos me explicou que o cara falava demais e acabava logo com a “rodinha”, pois, só ele queria falar mais ninguém. E, a minha curiosidade ainda não satisfeita quis saber também porque o chamavam de poça d’água. Explicaram-me que “poça d’água” é aquela pessoa que a maioria  evita, ou seja, todo mundo desvia. Na verdade os princípios naturais norteiam a vivência cotidiana, só nos resta seguir a naturalidade das coisas, ou seja, ouvir mais e falar menos. Reforçando essa tese a gente está “careca” de saber que para se falar com Deus é preciso fazer silêncio, pois, no barulho podemos ouvir tudo, menos Ele. E, lembre-se de que a boca fala aquilo do que o coração está cheio. Isto é, se está peludo, fala coisas horríveis e, se está veludo, fala coisas maravilhosas. Portanto, vamos ser coerentes e observar os recados divinos, ou seja, dois ouvidos, ouvir mais, uma boca, falar menos.  Portanto, a receita é muito simples, ou seja, um fala, o outro escuta, um escuta, o outro fala. Pense.