Dos trezentos e sessenta e cinco dias do ano, temos a gosto de qualquer freguês um dia para se comemorar é só escolher. E, na verdade é muito bom que assim seja, pois o que seria do comércio se não houvesse essas desculpas para se comemorar alguma coisa. Por coincidência hoje se comemora o dia dos namorados, juntamente com o período de realização da Copa do Mundo de Futebol. Imaginem só que período mais complicado para se comemorar o dia dos namorados. Haja vista que o festejo da Copa é febre nacional, portanto, com certeza, empanará a comemoração dos namorados. Por conta disso, ou seja, Dia dos Namorados e realização da Copa do Mundo, a cidade está em verdadeira polvorosa com ofertas de todos os tipos. Os panfletos estão em todos os lugares, porém, com a proibição legal, agora estão enxovalhando nossas casas, tanto pela mala direta como pessoalmente, é só ter tempo de ler e escolher. Deixando de lado essa especulação comercial, vamos lembrar dos namorados. Normalmente me qualifico como um saudosista, porque, felizmente ou infelizmente e, não querendo deixar os mais novos chateados, mas, antigamente namorar era uma verdadeira delícia. Falo assim, porque a mim me parece que hoje não existe mais namoro constante. Onde a convivência servia para o casal se conhecer melhor, verificar se realmente o pretendido era de fato a outra metade da maçã. Tanto é verdade que em épocas passadas havia-se um grande respeito entre os jovens, digo respeito, na própria acepção da palavra, pois, dificilmente um jovem deixava o seu par em situação constrangedora. Os namorados de outrora, eram românticos e gostavam muito de curtir um ao outro e, por incrível que possa parecer às traições eram raríssimas, ou não se tinham notícias delas. Isto porque, se por ventura, o casal de namorado percebesse que o namoro estava balançando ou prestes a acabar, havia dignidade de numa conversa franca resolver o assunto. As atitudes eram sempre alicerçadas por posições adultas, ou seja, cabeça boa e coração bondoso. Hoje, pelo contrário, a data não tem muito sentido, mesmo comercial, pois creio que o movimento para compra de presentes tenha diminuído sensivelmente. Considerando que os que somente “ficam” não se presenteiam, às vezes, nem se conhecem. Como conseqüências acabaram-se as responsabilidades. Portanto, os laços afetivos de preparação para a vida a dois agora devem ser vistos por um binóculo usado ao contrário, ou seja, estão muito distantes. Convenhamos que haja um exagero de minha parte, pois certamente existem ainda neste mundão de Deus, casais de namorados que nutrem a mais doce harmonia do amor e da fidelidade. Acredito que deve ser um número consideravelmente pequeno, mas existe. Na maioria das vezes, teimamos em não acreditar, porém, o namoro também é uma das coisas que faz parte daquelas em extinção, infelizmente. Isto porque, a bola da vez agora é apenas “ficar” sem nenhum tipo de compromisso. Independente de tudo isso, parabéns pela data a todos os namorados, inclusive os casados, que continuam sendo os eternos namorados. Beijos.